quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Assistência Psicológica para gestantes com HIV

Olá,

Vejam que matéria interessante que recebi de uma fisiodoula, a Gabriela. Saiu no caderno Donna do Clic RBS - RS de 06/10/10.
Boa leitura, beijos.


Assistência psicológica melhora gestação de mulheres com HIV, indica estudo
Grávidas podem ter mais qualidade de vida com pré-natal adequado

Gestantes portadoras do vírus HIV podem ter uma gravidez melhor se, além do exame pré-natal adequado, puderem desabafar angústias e sentimentos, segundo informações divulgadas pela Agência USP de Notícias. A pesquisa foi apresentada na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. Leia a seguir na íntegra.

Gestantes portadoras do vírus HIV podem ter uma gravidez de maior qualidade se tiverem, além de um pré natal adequado, um espaço durante a gestação para falar de suas angústias e sentimentos. O estudo A vivência da maternidade: um estudo com gestantes portadoras do HIV, apresentado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, também concluiu que essas mães precisam de assistência psicológica diferenciada, bem como de um espaço para realizar discussões sobre o planejamento familiar e a educação sexual.

A pesquisa objetivou saber como as gestantes entendem a maternidade no contexto da doença e qual é o impacto desta em suas vidas.

— Por meio de entrevistas, as gestantes entrevistadas davam sua impressão sobre como percebiam a gravidez, como se percebiam enquanto mulheres e como encaravam o tratamento durante o pré natal — declara a psicóloga Luciana Trindade Valente Carneiro, autora do estudo.

A partir dessas declarações foi constatado que durante a gravidez os problemas mais comuns se referem a questões emocionais e não clínicas, uma vez que o pré natal é realizado em um ambulatório diferenciado. Luciana explica: “Há muita insegurança por partes dessas mulheres em relação ao futuro, ou seja, se o bebê nascerá saudável ou a dúvida se na medida em que as crianças crescerem elas estarão presentes. Já em relação ao quadro clínico, todas se sentiram muito seguras ao realizar o pré natal dentro do ambulatório.”

O Ambulatório de Moléstias Infecto Contagiosas em Ginecologia e Obstetrícia (AMIGO), do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP), local onde foi realizada a pesquisa, é referência na área.

— Ali o trabalho realizado é de vanguarda e já conta com uma equipe multiprofissional o que justifica a sensação de segurança dessas gestantes em relação à saúde física — ressalta Luciana. — Mas, nem sempre é assim. A realidade no Brasil é diferente. Daí a necessidade de haver um trabalho multiprofissional, no qual junto com os médicos atuem psicólogos, assistentes sociais e outros técnicos. O lado psicossocial dos usuários deve ser trabalhado — acrescenta a pesquisadora.

É neste âmbito que foi criado, no período da pesquisa, o “Grupo de Sala de Espera”, no qual as gestantes do AMIGO, enquanto esperavam por sua consulta, podiam conversar e compartilhar com outras na mesma situação seus temores e ansiedades durante o pré natal. Esse grupo sempre foi acompanhado por um psicólogo.

— Ali elas podiam falar das ansiedades e dos temores que vivenciavam durante a gravidez, como o medo do parto. Este espaço de conversa qualifica a assistência — assinala Luciana.

Tratamento

O estudo constatou que a maioria das gestantes aderia ao tratamento durante a gestação por medo da possibilidade da transmissão vertical do HIV ao bebê, pensando sempre no bem-estar do filho e não no bem-estar próprio. Tal fator não é positivo, pois pode significar que após a gravidez a mulher interromperá a medicação.

— Isso é ruim porque mesmo após o parto elas devem se tratar para que os sintomas da doença não se efetivem.

A proposta é que haja um tratamento e acompanhamento permanentes.

— A mulher deve se cuidar e não só do filho — afirma Luciana. — Com um trabalho integrado você pode, não só incentivar o tratamento correto, mas também minimizar questões psicológicas e emocionais , tão comuns em gestantes soropositivas — conclui.

A dissertação foi orientada pelo professor Marco Antonio de Castro Figueiredo, do Departamento de Psicologia e Educação da FFCLRP.
AGÊNCIA AIDS

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