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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Parto natural é três vezes mais seguro


Existem situações onde a cesariana é indicada, tanto por questões de saúde da mãe , como do bebê. Porém atualmente muitas intervenções cirúrgicas deste tipo estão sendo realizadas sem que haja necessidade. Então vale a pena conhecer mais sobre o parto natural e saber quando a cesariana está sendo sugerida por questão de comodidade ou de saúde. O conhecimento nos leva a fazer escolhas mais conscientes.
Abaixo a matéria que saiu no site do IG, boa leitura. Beijos!!!

Pesquisa da OMS mostra que cesarianas desnecessárias aumentam risco para mãe e bebê

Fernanda Aranda, iG São Paulo | 15/01/2010
Foto: Getty Images

Cesarianas: nas rede privada elas já são 84% de todos os partos
Em meio à epidemia de cesarianas que enfrenta o Brasil, segundo palavras do próprio Ministro da Saúde José Gomes Temporão, a Organização Mundial de Saúde (OMS) acaba de divulgar um novo estudo sobre o risco desta opção cirúrgica, quando feita sem necessidade médica: os partos naturais são quase três vezes mais seguros para mães e bebês.

A pesquisa feita com 107 mil mulheres, todas da Ásia, identificou que quando a criança nasce por meio das cesáreas sem indicação por quesitos médicos, a mortalidade da mãe, a necessidade de fazer transfusão de sangue e o encaminhamento dos bebês após o nascimento para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) são 2,7 vezes com mais freqüentes.

O alerta foi feito com base em um índice alarmante: 27,3% das asiáticas avaliadas na pesquisa foram submetidas a cesarianas, taxa alta comparada aos 15% preconizados pela OMS, porém bem inferior ao índice encontrado entre as brasileiras. Do total de partos no País, 43% são cesáreas. Quando na conta entram apenas os procedimentos realizados em maternidades particulares, o registro sobe para 84%, informou ano passado a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Comissão do parto natural

O índice é recordista mundial, afirma o Conselho Federal de Medicina (CFM) e, apesar dos esforços do governo para reduzir as taxas, o efeito foi inverso. O cenário é de aumento de cesarianas já que em 2000, 80% dos partos em unidades privadas em saúde eram deste tipo.

Em muitos casos, lamentam os especialistas, a escolha pela cesárea é por motivos banais. Data de aniversário no mesmo dia do que a mãe, agendas complicadas, mês ou signo preferidos já apareceram como justificativa. Ano passado foi noticiado que alguns casais marcaram a cesárea para o dia 09/09/09 só por causa do ineditismo da data.

A atriz e apresentadora Fernanda Lima foi escalada pelo Ministério da Saúde para tentar ajudar na mudança de quadro. Na época em que estava grávida de gêmeos, ela fez propaganda sobre a importância do parto natural. A causa também virou bandeira do CFM que criou no final do ano passado uma comissão especial para cuidar do assunto.

“Fizemos um fórum em novembro de 2009 e reunimos obstetras, pediatras e mulheres para tentar reverter o quadro, em uma parceria sugerida pela ANS”, afirmou o médico pediatra José Fernando Vinagre, coordenador da Comissão de Parto Natural do CFM. “Já sabemos que para a reversão dos índices precisamos que os hospitais tenham condições de oferecer excelência no atendimento e realização do parto natural. Por isso, este ano, começamos a visitar as maternidades por todo País e vamos fazer uma ampla pesquisa com os obstetras para identificar quais são as principais demandas e falhas atuais”, completou Vinagre. A pesquisa deve ser concluída em julho e a esperança do Conselho e traçar outro paradigma de maternidade.

9 horas contra 90 minutos

Com relação aos médicos, a rotina atribulada de trabalho – mais de 70% atuam em dois ou mais empregos revelou censo feito pelo Conselho de Medicina de São Paulo – pode ser um dos motivos. É sabido que alguns trabalhos de parto chegam a durar nove horas e a maior parte das cesáreas podem ser feitas em uma hora e meia. Apesar disso, as vantagens do parto natural são incalculáveis, informa o Ministério da Saúde.

Estudos internacionais já demonstram que fetos nascidos entre 36 e 38 semanas, antes do período normal de gestação (40 semanas), têm 120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios agudos e, em conseqüência, acabam precisando de internação em unidades de cuidados intermediários ou mesmo em UTIs neonatais. Além disso, no parto cirúrgico há uma separação abrupta e precoce entre mãe e filho, num momento primordial para o estabelecimento de vínculo.

Males da mulher moderna

Entender os motivos que fazem as mulheres priorizarem a cesariana também foi o foco de uma enquete realizada por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Eles acompanharam de perto 23 grávidas que acabaram fazendo cesárea. Ao perguntar a opinião delas sobre o aumento crescente de mulheres que fazem uma cesárea, o principal fator foi o medo das dores do parto e o desconhecimento das vantagens do parto normal. “Algumas mulheres do setor privado destacaram a possibilidade de programar o parto devido à vida agitada da mulher contemporânea, em vez de esperar pela imprevisibilidade do parto normal”, afirmam os pesquisadores nos Cadernos de Saúde Pública, veículo em que o estudo foi publicado.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

AO NATURAL: Bebês que nascem em casa

Oi,

Hoje saiu no jornal Diário Catarinense uma matéria bem interessante sobre parto em casa. Esta é uma forma de nascimento que está voltando a ser procurada cada vez mais. Percebe-se uma busca pelos atendimentos humanizados, com respeito ao ritmo do trabalho de parto, sem intervenções desnecessárias na parturiente e bebê. Em Florianópolis existem profissionais preparados e experientes nessa área.
Então, abaixo está o artigo. Boa leitura !
Beijos.


Números de nascimentos em domicílio em SC chama a atenção em pesquisa do IBGE. Em muitos casos, é por escolha dos pais

Dos 83.759 bebês que nasceram no ano passado em Santa Catarina, 142 vieram ao mundo em casa. A informação pode ser pinçada de uma extensa pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dessas 142 crianças, 21 nasceram em Florianópolis, onde maternidades estão ao alcance de todos. Nara Rosa é uma dessas crianças. Na tranquilidade de sua casa, no Canto da Lagoa, seus pais, Gabriel e Renata Siqueira, receberam a primeira filha.

Quando souberam da gravidez, eles já pensavam na possibilidade do parto domiciliar. Mesmo assim, conferiram todas as opções, entre elas, as mais convencionais, em hospitais e clínicas. Por meio de amigos que já haviam tido filhos em casa, tiveram contato com um grupo que faz o serviço e decidiram que era o melhor jeito para eles.

Também ficaram surpresos com as pessoas que encontraram nas reuniões durante os meses de gravidez. Esperavam gente de estilos de vida mais alternativos, mas encontraram vários públicos, de várias idades. Para Renata, o processo domiciliar colabora para que a mulher deixe a natureza trabalhar normalmente:

– O parto é um ritual de passagem para a mulher, que deixa de ser filha para ser mãe, e o parto em casa respeita a sacralidade disso.

A equipe de enfermeiras havia visitado o casal antes e já conhecia a casa. Quando chegou para o parto, já sabia como seria, da banheira de água quente ao café para a mãe.

Gabriel ressalta que, quando começaram as contrações, ao invés da espera convencional num hospital, Renata passeava no quintal.

– Quando há a possibilidade, se a gravidez não for de risco, eu recomendo a todo mundo fazer assim – diz Renata.

Uma das amigas para quem ela recomendou foi a vizinha Isadora de Lima Borges, que esperava a terceira filha, após dois nascimentos em hospitais. O segundo, Bento, havia sido com cesariana, apesar de Isadora preferir o parto natural. Quando Ana nasceu, há um ano e um mês, o parto foi em casa. A mãe destaca a sincronia do grupo de enfermeiras, que trabalhava com pouca luz e falando baixo entre si. Assim, explica, conseguia concentrar-se mais.

– Não sei se é porque a mãe estava mais calma, mas a Ana também era mais calma, desde o começo – lembra.

Isadora conta que o médico tinha todo o equipamento para eventuais urgência e, em caso de imprevistos, poderia atender mãe e bebê na própria casa. O parto durou 16 horas.

Matéria publicada no Diário Catarinense: 26 de novembro de 2009 | N° 8635