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terça-feira, 20 de abril de 2010

Alimentação durante trabalho de parto está liberada

Vejam que interessante o artigo que saiu na Folha On Line. Revê mais um mito sobre o trabalho de parto. Sempre se ouviu que a parturiente não poderia se alimentar nesse processo porque se tivesse que fazer uma cesária poderia passar mal. Enfim foi revisto, concluiu-se que se passa mais mal ficar sem alimentação.

Boa leitura e lembrem-se de levar alimentos leves na bolsa da maternidade.

Beijos grandes!!!

Crença de que mulher deve ficar em jejum para dar à luz não resiste à revisão científica de vários estudos; comida deve ser leve

Rafael Hupsel/Folha Imagem

A fisioterapeuta Luciana Morando, que almoçou e lanchou no dia do nascimento de Guilherme

JULLIANE SILVEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Em nome do conforto, vale até comer enquanto o bebê não chega. Uma revisão recente de cinco estudos científicos concluiu não haver provas de que a alimentação durante o parto normal faz mal à mulher.
O trabalho avaliou dados de 3.130 mulheres e foi publicado pela Cochrane, rede internacional de revisão de pesquisas.
A crença de que a mulher deve ficar em jejum vem dos anos 1940, quando foi levantado o alerta de que, durante uma anestesia geral, haveria maior risco de vômito e de o alimento do estômago ser aspirado pelos pulmões, causando problemas à paciente.
Mas a anestesia aplicada na gestante só atinge o abdômen e os membros inferiores, tornando mínimo o risco de reaspiração dos alimentos. "Muitos médicos têm receio de ser necessária uma anestesia geral, mas isso é raro e atípico", diz o ginecologista Alberto d'Auria, diretor do grupo Santa Joana.
Na verdade, a alimentação pode ajudar a mulher: como ela pode esperar até 16 horas para o bebê nascer, precisa de uma fonte de energia. "Se sente fome, é sinal de que há algum nível de hipoglicemia. É mais saudável oferecer comida do que dar glicose na veia", acrescenta.
A exceção ocorre no caso de uma cesariana agendada. A cirurgia requer oito horas de jejum para alimentos sólidos e seis horas para líquidos.
"Se o parto for normal, mas houver suspeita de que a mulher não vai ter dilatação, também é melhor evitar a alimentação", diz a ginecologista Márcia da Costa, coordenadora médica da maternidade do Hospital São Luiz -unidade Itaim.

Experiência
A fisioterapeuta Luciana Morando, 27, já sabia que poderia se alimentar durante as contrações, caso sentisse fome.
Foi internada às 11h, e seu filho, Guilherme Mendes Morando, nasceu depois das 20h, tempo suficiente para ela almoçar e lanchar. "Achei importante comer. Parto é trabalho mesmo. Tive mais energia para o momento da expulsão."
Os alimentos devem ser leves como grelhados, purê, arroz e vegetais, para não piorar um eventual mal-estar causado pela dor, segundo a ginecologista Márcia da Costa. "Se ela estiver indisposta, pode tomar sopa. Vai do desejo da paciente." Se ela estiver sem apetite, o médico pode manter os níveis de glicemia com soro.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2004201004.htm

terça-feira, 13 de abril de 2010

Mais sobre Michel Odent

Olá ,

Como havia prometido, hoje vou colocar algumas ideias do obstetra Michel Odent sobre a fisiologia do parto.
Ele enfatizou muito sobre as formas de ajudar uma mulher no trabalho de parto e como atrapalhar também (às vezes sem querer a gente pode estar sendo mais inconveniente do que imagina!).

Para começar, é interessante entender que nesses momentos de nascimento a mulher precisa se desconectar da função intelectual, ou seja, deixar parte do seu cérebro (neocórtex) quietinho. Hormônios são liberados e ela vai utilizando partes cerebrais mais arcaicas (pituitária e hipotálamo). Seu comportamento pode ficar diferente, ou como Odent falou, "inaceitável". Gritar, ser indelicada, brigar, tudo isso é sinal de que ela está se liberando da parte intelectualizada e entrando mais profundamente no trabalho de parto, com seus próprios recursos.

O que atrapalha (e estimula a parte intelectual):

1- falar com a mulher: mesmo que seja para dizer como está a dilatação ou fazer alguma pergunta. Qualquer conversa nesse momento ativa os pensamentos e a tiram do estado primitivo;

2- luz: com o escuro um hormônio importante é liberado (melatonina) que ajuda a diminuir a atividade intelectual do neocórtex;

3- ser observada e ter sensação de perigo: pessoas que estejam tensas, filmagens,etc podem atrapalhar. O ideal seria estar apenas com a parteira (segundo o próprio obstetra) e alguém que não a faça se sentir julgada e observada, alguém como a mãe ou que passe esta sensação.

4- sentir fome: aumenta a adrenalina. Quando a mulher se alimenta abaixa a atividade do neocórtex, ou seja, dá um soninho e tranquiliza.

Então, já podemos ter algumas ideias de como ajudar uma mulher no seu trabalho de parto ou, pelo menos, não atrapalhar tanto!

Quem quiser pode mandar suas observações, experiências sobre o assunto acima. Seria ótimo trocar informações com vocês.

Beijos