segunda-feira, 28 de junho de 2010

Novidade: Oficina para Gestantes

Boa tarde,

A partir do dia 07 de julho iniciará a OFICINA PARA GESTANTES no Espaço Terapêutico Passiflora, no Córrego Grande (Florianópolis), às 16 horas.

Toda semana a enfermeira Camilla e eu estaremos trazendo um tema para conversarmos com as gestantes e seus acompanhantes. Será um espaço para troca de experiências, informações científicas e dicas práticas.

Contamos com a presença de vocês!

Inscrições e mais informações: apoiomaterno@gmail.com

Beijos.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Sites do sling

Olá,

Quem quiser acessar os links citados pela Tamara na matéria abaixo, pode ir direto no lado direito do blog nos "links interessantes". Estão lá: kepina e slingando.

Boa navegação!

beijos.

Você conhece o sling?

Olá,

Faz algum tempo que vejo slings pela cidade. Depois de algumas leituras e depoimentos, fiquei apaixonada pela ideia de poder carregar o bebê e ainda fazer outras atividades (incrível, não é??). Quando tive meus filhos sempre estava com eles no colo, percebia que se acalmavam bem melhor se estivessem bem juntinhos de mim ou do pai (da vó também vale). Por isso fiquei com uma pena de não ter conhecido antes, teria sido mais fácil. Quando estava com meu recém-nascido, poderia ter atendido o mais velho com as duas mãos e não apenas com uma (já que segura o bebê no colo e um menino de 3 anos ainda precisava de muitos cuidados).

Para as novas mães e pais, fica a dica. Para conhecer mais sobre o sling, convidei a Tamara Hiller para uma entrevista. Ela é parteira formada na Alemanha e mãe de uma bela menina (ambas na foto). Bons colinhos!!!

Beijos.




1- O que é sling? Existe vários modelos de slings, quais as
diferenças entre eles ?

Um sling é um carregador para bebês de pano. Ele permite uma posição
fisiológica para o bebê e é confortavel para quem carrega. Nisso os
slings são melhores que a maioria dos cangurus comerciais, esses tipo
mochila, que muitas vezes não proporcionam uma posição ergonômica para
o bebê. Um sling, como o wrap sling, sling com argola e pouch, se
adapta perfeitamente ao corpo do bebê e pode ser usado desde o
primeiro dia de vida até os dois ou três anos, ou até mais se os pais
desejam. Digamos assim, o limite na verdade não esta no sling, mais em
quem carrega! Se tiver situações que você precisa ainda carregar seu
filho de três ou quatro anos, vai ser mais fácil com um sling do que no
braço.

A maior diferença entre os diferentes modelos é que o sling com argola
e pouch usam só um ombro para carregar, e o wrap sling distribui o
peso sobre os dois ombros, por isso ele é muito mais confortável, este é mais usado. Ele também permite o maior contato pele a pele,
pois não tem uma camada de tecido entre você e o bebê como no sling
com argola ou pouch. O sling com argola se coloca mais rápido que o
wrap, não precisa de amarração. Mas na verdade, com um pouco de
pratica, é bem fácil e rápido de colocar o wrap. Para isso fizemos os
videos explicativos que vocês podem ver aqui
(http://kepina.com/pt/video-como-usar-wrap-sling.html )

Eu adoro todos os tipos de slings, mais meu favorito é o wrap. Acho
que cada mulher se adapta melhor com um modelo e, na verdade, é bom ter
mais que um modelo, por exemplo um wrap e um de argola, para variar.
Nós não usamos carrinho com nossa filha, mais tínhamos vários slings e
adoramos usar.


2- Quais as vantagens de usar sling?

São tantas... Recomendo o texto na página principal do nosso site
http://www.slingando.com . Na verdade, além dos muitos benefícios para
o desenvolvimento do bebê é a praticidade para os pais, não posso
imaginar como criar um filho sem sling. Para nós foi essencial. Não
podia imaginar deixar minha filha lá embaixo num carrinho e sair na
rua, tão perto dos gases dos carros, tão exposta aos barulhos.
Colocamos ela no sling, saíamos e ela dormia o tempo inteiro! Sinto no
meu coração que isso é a coisa mais natural para eles e para nós pais
também, de estar perto. Acho que um bebê que está longe da mãe entra
num estado de estresse, e não consegue mais dormir nem relaxar, fica
com medo. As consequências podem ficar para o resto da vida,
hiperatividade, falta de concentração, depressões, etc. Sabiam que o
sling até reduz a chance da mãe ter uma depressão pós parto? Nós
também precisamos de muito contato físico com nossos bebês, é
importante para a produção dos hormônios, a amamentação, nossa redução
de estresse.



4- Qual foi seu primeiro contato com um sling?

Conheci o sling no meu trabalho de obstetriz (parteira profissional)
na Alemanha. Lá são as parteiras que acompanham o parto e não o
médico, seja na maternidade ou em casa. Também fazemos todo o
acompanhamento desde os pré-natais até visitas em casa após o parto,
para ajudar com a amamentação e responder as perguntas que os novos
pais tem. Eu sempre recomendava o sling, pois ele facilita muito a
transição da nova vida de ser pais.

Também vi o uso de slings em sociedades tradicionais durante minhas
viagens, por exemplo a Guatemala. Parece que lá não existem as cólicas
dos primeiros três meses, nem se vê bebês chorando, eles sempre estão
juntos com as mães com livre acesso ao peito. Quando estive grávida
com a minha filha, a primeira coisa que comprei foi um sling (três na
verdade!). Foi a peça mais importante do enxoval. Quando saímos com
nossa filha no sling, tanta gente parou e perguntou sobre o sling que
resolvimos colocar fotos, informações e videos no nosso site
www.slingando.com. Vimos que no mercado brasileiro era ainda muito
difícil de achar um sling de qualidade. A questão da segurança das
argolas por exemplo é muito importante. Também se deve usar os
tecidos apropriados para cada tipo de sling, de materiais naturais e
respiráveis. Por isso criamos nossa própria marca de slings, Sun
Kepina, que é o resultado de 15 anos de experiência com baby slings.


5- Onde se pode encomendar um sling ?

Recomendo comprar diretamente online através da nossa loja,
http://www.lojadobabysling.com , isso é fácil e seguro e enviamos os
slings ao mundo inteiro. Dentro de Brasil chega de um a dois dias com
Sedex. Nossos modelos estão todos para pronta entrega. O pagamento
pode ser via depósito bancário, com seu cartão, também parcelado, ou
com boleto, via pagseguro. Também podem me contatar via email:
contato@slingando.com, estou a disposição de responder possíveis
perguntas. Para quem mora em Floripa existe a possibilidade de nos
encontrar aqui no Sul da Ilha para comprar um sling, data a combinar
via email.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A culpa nossa de cada dia

Olá queridas mães,

Muitas de nós tiveram uma estreia dupla com a vinda do bebê, nasceu uma mãe e também uma culpa.

O bebê chora, e chora muito e muitas vezes. Pronto, lá vem a culpa por não sabermos acalmá-lo ou conseguir decifrar imediatamente as suas necessidades.

O bebê acordou com o rostinho arranhado. Culpa de quem de não ter cortado as unhas?

Cansada com vontade de dormir ou dar uma voltinha para relaxar um pouco, mas vem a culpa para atormentar e dizer "como que você não quer ficar 24 horas cuidando do seu bebê ?"

No pós-parto as emoções estão confusas, às vezes alegre, às vezes triste. Boa hora para a culpa dar uma voltinha e atormentar " você não está contente o tempo todo com o nascimento do seu bebê?"

Preciso voltar ao trabalho, mas sei que vou acompanhada da culpa porque não estarei vendo os primeiros passos do meu bebê.

Vou ficar em casa sem trabalhar fora, mas às vezes gostaria de sair para trabalhar para conversar com adultos e ter uma folga das tarefas domésticas, será que a culpa deixa?

Mil faces do mesmo sentimento que nasce e cresce se bem alimentado por nós mesmas. Que tal lembrar das descobertas do bebê, de tudo que está aprendendo e de tantas outras coisas boas que somos responsáveis. Sim, porque geralmente não nos lembramos das partes boas, aprendemos a nos cobrar sem piedade.

Então fica a dica para o final de semana, deixar a culpa de jejum e alimentar a autoconfiança!

Com carinho.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Adoção por casal de mulheres

As novas formas de família estão cada vez mais presentes. Hoje não se pensa mais que o modelo de família se baseia sempre no formato pai, mãe e filhos. Casais de relações homoafetivas também estão buscando o direito de constituir família, seja por reprodução assistida ou adoção.
Abaixo podemos acompanhar uma matéria sobre um casal de mulheres que adotaram duas crianças. São situações como esta que podem ajudar a mudar a burocracia da adoção.

Beijos e boa leitura.


O Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve nesta terça-feira (27) o registro de adoção de duas crianças por um casal de lésbicas da cidade de Bagé (RS). A adoção era contestada pelo Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul, que pedia a anulação do registro. A decisão do STJ cria um precedente jurídico que permitirá aos casais homossexuais abandonar a prática usada atualmente de adoção individual para evitar problemas legais.
Segundo a assessoria do STJ, o Ministério Público do Rio Grande do Sul ainda pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) caso haja argumento constitucional.
A adoção pelo casal homossexual gaúcho foi autorizada em 2006 pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. O relator do caso no STJ, ministro Luiz Felipe Salomão, afirmou que há oito anos as crianças moram com as duas mulheres, que vivem juntas desde 1998. Ele lembrou que as duas crianças estudam em escola particular e que a própria assistente social que acompanhou o caso recomendou a adoção.

Saiba mais
Casal gay do RN adota crianças pelo cadastro de adoção Adoção de crianças vai ser menos burocrática no país Só 15,5% dos brasileiros enfrentariam processo de adoção, revela pesquisa “Se não for dada a adoção, as crianças não terão direito a plano de saúde, herança e em caso de separação ou morte podem ficar desamparadas”, disse o ministro.
Os demais ministros da 4ª Vara do STJ concordaram com o voto do relator. O presidente da sessão, ministro João Otávio de Noronha, ressaltou que o fato de a relação ser homoafetiva não influencia na opção sexual dos adotados e, ainda, que a adoção vai permitir às crianças melhor amparo e qualidade de vida. “Vem toda essa questão moral e vamos deixar as crianças no abrigo onde sofrem violência?”, indagou Noronha ao plenário.


Recurso
O Ministério Público entrou com o recurso em maio de 2008 para rever a adoção dos dois garotos por entender que a união entre duas mulheres não configuraria união estável. O MPF citou arquivo do Código Civil que estabelece que “ninguém pode ser adotado por duas pessoas salvo se forem marido e mulher ou se viverem em união estável”.
O presidente da 4ª vara do STJ, no entanto, lembrou que a maior parte das leis sobre a família no Brasil foi criada por jurisprudência. “A lei não proíbe esse tipo de coisa. Até porque pode unilateralmente uma pessoa solteira adotar. Não estamos violando nenhum dispositivo. O Código Civil não diz se é vedado. Não há nenhuma norma de proibição. Estou muito tranquilo para decidir sem nenhuma violação da lei”, afirmou o ministro Noronha.


Fonte: G1 Brasil
http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/04/stj-mantem-adocao-por-casal-de-lesbicas.html

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Carta aberta ao jornalista Alexandre Garcia

No dia 07/05/2010 o jornalista Alexandre Garcia fez colocações preconceituosas e sem conhecimento científico sobre o parto humanizado e a lei do Acompanhante no parto.

Abaixo está a carta aberta redigida pela Rede Parto do Princípio.


Carta Aberta a Alexandre Garcia

Considerações sobre a "bobagem" do Parto Humanizado
Quem está brincando com a saúde?

Caro Sr. Alexandre Garcia,


Somos mulheres ativistas da Rede Parto do Princípio, uma rede nacional, com mais de 100 mulheres por todo o Brasil, que luta para que toda mulher possa ter uma maternidade consciente e ativa através de informação adequada e embasada cientificamente sobre gestação, parto e nascimento.

É com profundo pesar que recebemos em pleno dia das mães uma fala cheia de preconceitos sobre a maternidade em um veículo de comunicação pública.

Diante de sua fala, nota-se o profundo desconhecimento das políticas de controle de infecção hospitalar, como também da legislação que garante a toda mulher o direito à presença de um acompanhante de sua livre escolha no pré-parto, parto e pós-parto imediato. Não é só uma "bobagem" do Ministério da Saúde. É lei (Lei Federal n° 11.108 de 2005). Uma lei que vem sendo sumariamente descumprida por todo o país.


Transcrição realizada a partir do áudio disponível em:
http://cbn.globoradio.globo.com/colunas/mais-brasilia/MAIS-BRASILIA.htm
"[...] eu tô criticando essa bobagem do Ministério da Saúde de parto humanizado... será que vão deixar entrar um pai na sala cirúrgica pra infectar a sala cirúrgica? O pai barbudo, cabeludo, bêbado, sei lá o quê, mas enfim... hã... vestido com... com poeira da rua numa sala cirúrgica? Isso é um absurdo. Ah, mas é o parto de cócoras... tudo bem, peça para sua mulher fazer um parto de cócoras pra ver o que vai acontecer com o joelhos dela, não é índia, nã... vão... vão acabar... É um sofrimento. Ah, porque as cesárias... eu disse olha... que ele mesmo concorda que o... o serviço público as cesárias só é feita [sic] em último caso... é parto normal normalmente... não precisa ficar anunciando que o hospital do Gama vai ter isso [...]"


Existem normas de controle de infecção hospitalar que devem ser cumpridas por toda a equipe de saúde, pelos pacientes e por seus acompanhantes. Independente se são "cabeludos", "carecas" ou "barbudos". Seguidas essas normas, não há porque restringir o acesso do acompanhante. O direito da mulher não pode ser violado a partir de discriminação, de preconceito.


Várias pesquisas comprovaram que a presença do acompanhante no parto proporciona uma série de benefícios como: maior sentimento de confiança, aumento no índice de amamentação, diminuição do tempo de trabalho de parto, menor necessidade de parto cirúrgico, menor necessidade de medicação, menor necessidade de analgesia, menores índices de escores de Apgar abaixo de 7, menor necessidade de parto instrumental, menores taxas de dor, pânico e exaustão, entre vários outros benefícios. Diante desses indícios, a Organização Mundial de Saúde (OMS) preconiza, desde 1996, a presença de um acompanhante para a parturiente.

E isso não é bobagem. São pesquisas científicas.

Hoje, existe a possibilidade da mulher escolher a melhor posição para o parto. De posse de evidências científicas, muitos profissionais não mais recomendam uma única posição, mas permitem que a mulher encontre a posição mais confortável para dar à luz. Para a posição de "cócoras", que é como são chamadas algumas posições verticalizadas, existem apoios e banquetas. Há também muitas mulheres que conseguem ficar de cócoras sem comprometer os joelhos, mesmo as não-indígenas.

"[...] O ministério da saúde não fez só isso não. O Ministério da Saúde tá estimulando agora pessoa com HIV a engravidar. Eu duvido que o Ministério da Saúde vá fazer uma... uma cesária pela terceira vez numa mulher com HIV e respingar sangue nele pra ver o que vai acontecer. É uma... é uma maluquice. Tão fazendo uma brincadeira com a saúde... Tá lá escrito na instituição a saúde é direito de todos e dever do Estado. O Estado não está cumprindo seus deveres com a saúde... e os problemas são de gestão, são administrativos.[...]"

Atualmente, diante de assistência médica adequada, nós mulheres podemos ter uma gestação e um parto mais seguros tanto para nós, quanto para os bebês. Inclusive as mulheres HIV positivas. Existem protocolos, embasados cientificamente, para os atendimentos às soro-positivas que evitam a transmissão vertical do HIV. Todos nós temos direito à reprodução. Existem também protocolos de rotinas que protegem a equipe de saúde para que não tenham contato com sangue ou secreções; e de providências caso haja algum acidente. E isso não é maluquice. É biossegurança.


E se o Estado está tomando providências para que o pai mais "barbudo" possa acompanhar sua esposa no nascimento de seu filho, e para que pessoas como eu, como os soro positivos e até como você possam ter fihos e netos em segurança, isso não é "bobagem", isso é dever do Estado.

Mas se o senhor ainda tiver críticas à "bobagem" do Parto Humanizado ou aos partos das mulheres soro positivas, por favor, embase suas considerações com argumentos fundamentados cientificamente. Porque disparar informações incorretas em meios de comunicação pública é anti-ético e um descalabro. E é vergonhoso.

Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos.

Rede de Mulheres Parto do Princípio
www.partodoprincipio.com.br





Transcrição CBN
http://cbn.globoradio.globo.com/colunas/mais-brasilia/MAIS-BRASILIA.htm

Sexta, 07/05/2010
Estado não está cumprindo seus deveres com a Saúde


Estevão: Alexandre Garcia, bom dia.

Alexandre Garcia: Bom dia, Estevão.

Estevão: Alexandre, na entrevista que fizemos semana passada com o governador Rogerio Rosso, obviamente, foi destacado durante a conversa esse plano que ele desenhou para a área de saúde... que diz respeito a uma autonomia para os gestores das unidades hospitalares. Só que, criou-se aí um grupo que vai definir o montante que cada unidade de saúde terá, então isso demora né? Quando cria-se esse grupo de trabalho, demora... enquanto isso... o caos impera.

Alexandre Garcia: Demora tanto que o Arruda já tinha anunciado isso. Pois é, o Arruda já tinha anunciado isso, por isso que demora. Até hoje não foi feito, hã. E o que... o problema é de gestão mesmo... não é possível que falte esparadrapo em hospital, e não é só em hospital de base não. Tá faltando tudo em toda parte, falta buscopan, falta soro, falta glicose... falta o básico... coisas... faltam sondas para fazer cirurgia, faltam lâminas de... de... de bisturi. Eu tava conversando agora de manhã com o secretário de saúde e ele me disse ah que eu peguei uma bomba que foi acumulada durante oito anos. Eu disse, ó, seu secretário, tem que romper esse círculo vicioso, o problema é gestão mesmo, tem que resolver essa história... aí, ele... ah... porque a conversa começou, eu criticando... eu disse pra ele assim... olha, eu vi aqui um anúncio do... eu tô criticando essa bobagem do Ministério da Saúde de parto humanizado... será que vão deixar entrar um pai na sala cirúrgica pra infectar a sala cirúrgica? O pai barbudo, cabeludo, bêbado, sei lá o quê, mas enfim... hã... vestido com... com poeira da rua numa sala cirúrgica? Isso é um absurdo. Ah, mas é o parto de cócoras... tudo bem, peça para sua mulher fazer um parto de cócoras pra ver o que vai acontecer com o joelhos dela, não é índia, nã... vão... vão acabar... É um sofrimento. Ah, porque as cesárias... eu disse olha... que ele mesmo concorda que o... o serviço público as cesárias só é feita em último caso... é parto normal normalmente... não precisa ficar anunciando que o hospital do gama vai ter isso. Aliás, o hospital do gama neste momento tá exportando pacientes pra outros hospitais porque anunciaram que tá maravilhoso mas não deve tá tão maravilhoso assim porque muitos hospitais tão exportando pacientes aqui pro plano... plano piloto... que a coisa não tá funcionando direito, nê? Em parte alguma e falta tudo. Agora eu fico me perguntando como o médico vai trabalhar? O ministério da saúde não fez só isso não. O Ministério da Saúde tá estimulando agora pessoa com HIV a engravidar. Eu duvido que o Ministério da Saúde vá fazer uma... uma cesária pela terceira vez numa mulher com HIV e respingar sangue nele pra ver o que vai acontecer. É uma... é uma maluquice. Tão fazendo uma brincadeira com a saúde... Tá lá escrito na instituição a saúde é direito de todos é dever do Estado. O Estado não está cumprindo seus deveres com a saúde... e os problemas são de gestão, são administrativos.

Estevão: Ô Alexandre, nessa conversa que você teve agora pela manhã com o secretário de saúde ele... como você já adiantou é... disse que herdou uma bomba, né? Que está sendo ativada há alguns anos. O que você sentiu dele? Ele tá otimista, tá pra baixo? Isso vai se resolver?

Alexandre Garcia: Ele... ele tá dinamizado, ele tá energizado. Ele tá querendo fazer as coisas. Ele... ele é de carreira, da fundação, ele é médico... é do ramo sim... agora, eu não sei se uma pessoa sozinha consegue resolver isso tudo. Tem que ter muito poder na mão, tem que ter recurso. O governo federal manda recurso, os recursos vão pra outro lugar. Tanto que... o que... o que a CGU nesse momento tá... num... tá recebendo aí o governador Rogério... Rogério Rosso mandou informações... mas...ah... não tão acreditando... porque é um descalabro o que aconteceu aqui... um escândalo vergonhoso, nã?... de dinheiro na mão, dinheiro nas cuecas, dinheiro nas meias... e aí falta pra saúde desse jeito que tá faltando. E que significa vida e morte pras pessoas... eu acredito que isso não é apenas um... um crime de desvio, isso é um crime contra a vida o que está se praticando contra a saúde aqui no Distrito Federal.

Estevão: Alexandre, bom fim de semana, até a segunda.

Alexandre Garcia: Bom fim de semana a todos, até segunda, Estevão.

Referências Bibliográficas:

BRÜGGEMANN, O. M.; PARPINELLI, M. A.; OSIS, M. J. D. Evidências sobre o suporte durante o trabalho de parto/parto: uma revisão da literatura. Cadernos de Saúde Pública, 21 (5): 1316-1327, Rio de Janeiro, 2005.

DRAPER, J. Whose welfare in the labour room? A discussion of the increasing trend of fathers’ birth attendance. Midwifery 13, 132-138, 1997.

GUNGOR, I.; BEJI, N. K. Effects of Fathers’ Attendance to Labor and Delivery on the Experience of Childbirth in Turkey. Western Journal of Nursing Research, vol 29; March, 2007.

KLAUS, M. H.; KLAUS, P. H. Seu Surpreendente Recém-Nascido. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Portaria MS/GM nº 2.616 de 12 de maio de 1998. Diário Oficial da União, 13 de maio de 1998.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo para prevenção de transmissão vertical de HIV e sífilis. Secretaria de Vigilância em Saúde, Programa Nacional de DST e Aids. Brasília, Ministério da Saúde, 2006.

NAKANO, A. M. S.; SILVA, L. A.; BELEZA, A. C. S.; STEFANELLO, J.; GOMES, F. A. O suporte durante o processo de parturição: a visão do acompanhante. Acta Paul Enferm 20(2): 131-7, 2007.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, Maternidade Segura, assistência ao parto normal: um guia prático. Genebra, 1996.

STORTI, J. P. L. O papel do acompanhante no trabalho de parto e parto: expectativas e vivências do casal. Dissertação (Mestrado em Enfermagem em Saúde Pública) - Departamento de Enfermagem Materno Infantil e Saúde Pública, Universidade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2004.

ZHANG, J.; BERNASKO, J. W.; LEYBOVICH, E.; FAHS, M.; HATCH, M. C. Continuous labor support from labor attendant for primiparous woman: A meta-analysis. Obstetrics & Gynecology vol. 88 nº 4 (2), 1996.

sábado, 8 de maio de 2010

Feliz Dia das Mães


Queridas mães,

Parabéns ao nosso dia. Tenham um ótimo domingo e aproveitem bem a grande aventura que é ser mãe!

Beijos, com carinho.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Apoio Materno na coluna do Cacau

Bom dia,

É com muita alegria que hoje escrevo para agradecer o jornalista Cacau Menezes pela referência ao Apoio Materno em sua coluna desta sexta-feira no Diário Catarinense.

Um beijo e ótimo final de semana!


Apoio materno

Os serviços do tipo personal também podem ajudar quem vai ser ou já é mãe. Cresce no Brasil o atendimento das chamadas “doulas”, profissionais que orientam a mulher na gravidez e nos primeiros cuidados com o bebê. O apoio emocional e as dicas de quem tem experiência e formação técnica complementam a intuição própria das mães. Aqui em Florianópolis, o trabalho já é feito por algumas profissionais. Uma referência é o blog www.apoiomaterno.blogspot.com

Fonte: Diário Catarinense em 07/05/2010

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Doula no pré-natal

Na gestação muitas mudanças acontecem no corpo da mulher, os hormônios, o formato, as emoções, tudo vai mudando pouco a pouco. Junto com isso muitas dúvidas vão surgindo, como minha vida vai mudar? farei parto normal ou cesária? como vou cuidar do meu bebê? como minha relação com meu companheiro vai ficar? onde vou ter meu bebê? o que faço com meus enjoos?
A doula que atende no pré-natal pode ajudar nessa transição. Seu trabalho consiste em dar suporte através de sua experiência como mãe e como profissional que é capacitada sobre a gestação, fisiologia do parto, amamentação, cuidados com o bebê e assuntos relacionados.

Na prática funciona da seguinte forma, a doula faz uma visita e combina com a gestante/casal quais os temas que desejam abordar. Os encontros vão desde conversas sobre as mudanças de vida, esclarecimentos sobre rotinas do parto, até orientações práticas de como amamentar, cuidar do umbigo, atividades de consciência corporal para um parto ativo, planejamento do parto e o que mais a gestante (e seu acompanhante) necessitarem.

Para saber mais, marque sua visita através do e-mail:apoiomaterno@gmail.com

Doula pós-parto

Oi,

Na postagem anterior escrevi de forma bem resumida o que significa doula. Atualmente existe três formas de atuação de doula, na gestação (pré-natal), no parto e no pós-parto.
O meu trabalho se foca no período da gestação e do pós-parto.
Então, o que é uma doula pós-parto?

A doula pós-parto vai na casa da família para auxiliar na adaptação da nova rotina com o bebê e as mudanças que acontecem com a própria mãe. Seu trabalho é focado tanto na parte de apoio emocional, ajudando a diminuir as inseguranças comuns dessa fase, como na parte prática. Ou seja, orientando a mãe e pai sobre os cuidados do bebê, como acalmá-lo, trocar as fraldas, cuidar do umbigo, banho, amamentação, retorna da vida sexual, elaboração do parto etc. A diferença de contratar uma babá ou enfermeira é que o objetivo maior é dar segurança e ajudar a mãe confiar em si mesma. A escuta sem julgamentos e as informações passadas são no sentido de contribuir para a relação mãe-bebê, família-bebê de forma tranquila.
A visita também inclui a ajuda com outros crianças, quando necessário, e um cuidado de mãe para mãe, obervando se está bem alimentada, hidratada e confortável.

Como funciona na prática:


Preferencialmente se entra em contato com a doula pós-parto antes do bebê nascer.
Mesmo que isso não ocorra pode-se recorrer a seus serviços logo após o parto ou ainda quando precisar de ajuda na amamentação.

São feitas visitas domiciliares num dos períodos do dia e combinado com a família quantos encontros forem necessários, de acordo com cada especificidade. Sendo que o telefone e e-mail ficam também à disposição.
Num primeiro momento geralmente se tem visitas seguidas e depois se faz com intervalos maiores.

Para saber mais agende uma visita sem compromisso, no consultório ou em domicílio, através do e-mail: apoiomaterno@gmail.com


Você pode ler :


Organização Mundial da Saúde. Assitência ao parto normal:um guia prático. Genebra-Suiça,1996

A cientificação do amor, de Michel Odent. Florianópolis-SC, Saint Germain, 2002.

A doula no parto. O papel da acompanhante de parto especialmente treinada para oferecer apoio contícuo físico e emocional à parturiente - Fadynha. São Paulo-SP. Ground,2003.

terça-feira, 4 de maio de 2010

O que é doula?

A palavra doula designava as mulheres que, antigamente, usavam sua experiência para cuidar de outras mulheres durante e após o parto. Este nome tem origem grega, que significa serva.

Hoje doula é um termo utilizado para as mulheres que dão amparo, apoio emocional e físico durante a gestação, parto e pós-parto. Não se trata de uma enfermeira, nem uma acompanhante. Realiza um trabalho sutil e delicado de incentivo a força da mulher, dando segurança e suporte emocional. Pesquisas mostram que a sua presença auxilia na auto-estima materna, diminuição do trabalho de parto, incentivo na amamentação.


Para saber mais:

Organização Mundial da Saúde. Assitência ao parto normal:um guia prático. Genebra-Suiça,1996

A cientificação do amor, de Michel Odent. Florianópolis-SC, Saint Germain, 2002.

A doula no parto. O papel da acompanhante de parto especialmente treinada para oferecer apoio contícuo físico e emocional à parturiente - Fadynha. São Paulo-SP. Ground,2003.

Menos adrenalina e mais ocitocina

Vejam a entrevista com o obstetra francês Michel Odent. Fui ao workshop dele em Curitiba em abril, agora a Gazeta do Povo publicou uma entrevista que resume suas ideias sobre o parto.

Beijos.

Terça-feira, 04/05/2010

Menos adrenalina e mais ocitocina no parto


Entrevista com Michel Odent, obstetra
Publicado em 02/05/2010 | Daniela Neves - danielan@gazetadopovo.com.br

A tecnologia é aliada do homem na Medicina, mas faz com que alguns instintos sejam deixados de lado. Para o obstetra francês Michel Odent, o aparato tecnológico está tornando os partos menos eficazes. Ele defende a “mamiferização” do parto, que é como chama o conjunto de ações que fazem com que o nascimento respeite as condições inatas da mulher. Quanto mais máquinas, especialistas por perto e iluminação, menor a segurança da mulher no momento em que ela precisa estar tranquila para dar à luz, diz Odent. O bebê deveria ficar com a mãe assim que nasce e ser amamentado na primeira hora de vida. Sempre lembrando que somos animais, o obstetra fala sobre a fisiologia do parto, sobre os hormônios e substâncias ligadas ao nascimento e ao medo, que podem causar dor.

Odent ficou conhecido por in­­­­troduzir no hospital de Pithi­­­viers, na França, o conceito da casa como sala de parto e da utilização das piscinas de parto. Autor de 12 livros publicados em 22 línguas, o médico esteve em Curitiba no início de abril e conversou com o Viver Bem.

No Brasil, preconiza-se o parto humanizado que, além de prever a presença do pai ou acompanhante na sala, propõe que o bebê fique no quarto com a mãe logo depois do nascimento. O que o senhor considera parto humanizado?

Entendo o parto humanizado de uma maneira diferente. É preciso redescobrir o nascimento, libertar-se de tudo quanto é crença e ritual milenar ou cultural, eliminando o que é especificamente humano. A começar pela linguagem, que é o método humano de comunicação. É preciso satisfazer as necessidades universais específicas de mamíferos, como, por exem­­­plo, ter segurança. Na floresta, se uma fêmea está para ter um filhote e percebe que há um predador por perto, vai liberar adrenalina, essencial em uma situação de emergência na necessidade de partir para a luta. Essa adrenalina vai bloquear o parto, postergar o nascimento. A segurança é uma necessidade básica para qualquer mamífero. Outra necessidade básica é não se sentir observado. Então, mais do que humanizar o parto, é preciso “ma­­­­miferizar” o nascimento e por isso essa expressão parto hu­­­manizado não tem o mesmo sig­­­­nificado para mim. Humanizar é usar um número grande de ferramentas, é a cesária.

O Brasil é considerado um dos campeões em números de cesárias. O senhor acha que isso é uma consequência cultural ou uma escolha médica?

O Brasil não é exatamente o campeão em número de cesárias. Encontramos número ele­­­­­vado em todos os países onde existe um grande número de mé­­­­­dicos obstetras e nos quais as parteiras desapareceram. Aconte­­­ce em todas as grandes cidades da Amé­­­­­rica Latina, chinesas, indianas, coreanas, iranianas, ou em qualquer parte do mundo onde o número de médicos especialistas é grande.

Na sua opinião, qual é o principal argumento para convencer as brasileiras de que o parto normal é melhor do que a cesária?

Não sei se o objetivo é convencer. Não gosto de usar essa palavra porque o que busco é compreender qual a necessidade básica da mulher. Tive a oportunidade de conversar com estudantes do Rio de Janeiro, adolescentes, e elas afirmaram que gostariam de ter parto normal. Então, creio que o obstáculo está em entender a necessidade das mulheres.

O medo da dor no parto e as facilidades de equipamentos encontradas hoje nos hospitais faz com que muitas mulheres, principalmente das classes média e alta, optem pelo parto cesáreo. O que diria a elas?

Quanto mais difícil é o parto, maior a dor. É preciso aprender a ter partos fáceis. Quando são fáceis, o sistema fisiológico protege a mulher da dor porque o nascimento é eficaz. É o parto que libera uma boa quantidade de endorfina pelo cérebro, assim como a ocitocina, fazendo com que a dor fique de lado. Ou pelo menos ela não é tão percebida. Quando existe esse equilíbrio, mesmo que haja dor, as mulheres a esquecem logo em seguida ao parto, ao contrário de quando há uma quantidade desequilibrada desses hormônios, quando há presença da adrenalina. Para que esse parto mais tranquilo aconteça, é preciso que o ambiente seja propício. O que aprendi em 50 anos acompanhando partos, seja em casa ou no hospital, é que o ambiente facilita o procedimento e reduz a dor. Esse ambiente deve ser silencioso, sem tanta gente em volta observando, sem tanta luz. Quanto mais simples, mais eficaz é o parto. Para isso é preciso compreender a fisiologia do parto e redescobrir o que é mais simples.

Recentemente, a modelo Brasi­­­­leira Gisele Bündchen teve um parto em casa, em uma banheira, o que despertou curiosidade sobre esse modelo de parto. Está se tornando comum? Quais as condições para esse tipo de parto, em casa?

A mulher que vai ter o bebê necessita se sentir segura e para isso não há uma regra para todas. Ela pode se sentir segura em casa, com uma parteira, ou perto de máquinas. São mulheres diferentes, mas que têm a mesma necessidade de segurança. Hoje o parto domiciliar é possível em uma sociedade urbana na qual as mu­­­­lheres vivem perto dos melhores hospitais. O ideal seria combinar o que há de bom em casa com o que há de bom no hospital.

Fonte: Gazeta do Povo, 04/05/2010
Matéria original contém fotos de Michel Odent e Gisele Bündchen, porém não conseguimos copiá-las para o blog.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Homem tem jeito para cuidar de criança?

Olá,

Esta é a primeira vez que vou postar um artigo específico sobre os homens. Garanto que vai ser muito interessante para as mães e os pais.
Leiam, depois me contem se gostaram.

Beijos e bom domingo!!!


Por: Maria Luiza de Carvalho*

Estes são chavões muito ouvidos entre nós. São produtos da divisão tradicional do trabalho entre homens e mulheres, em que aos homens cabem as funções públicas e às mulheres a vida doméstica. Cuidar é coisa de mulher, haja vista a grande quantidade de mulheres em profissões ditas femininas: enfermagem, educação, psicologia, etc.

Mas a história não é bem assim pois a observação de pais dando o primeiro banho numa maternidade pública, tem mostrado que os homens inicialmente desajeitados, logo se tornam afetuosos e competentes ao cuidar do bebê. No entanto, no convívio doméstico, muitas mulheres relutam em permitir que o homem se aproxime do neném ou passe a administrar com ela a casa. Tarefas do poder feminino: ser a rainha-do-lar. E, poder, vocês sabem, a gente não gosta de perder, não é?

Por outro lado, há muitos homens que também têm dificuldades em se aproximar dos cuidados com os filhos, pois desta forma ficaria descaracterizado o seu papel de macho, aquele que banca economicamente a família e é servido pela mulher em casa. Mas os homens já não são mais os únicos provedores e estão tendo que se adaptar à nova independência econômica feminina. Entre essas adaptações surge a divisão das tarefas domésticas. Segundo dados do IBGE, 51 % dos homens participam dos trabalhos da casa.

Muitos homens se identificam como desajeitados para cuidar de criança. Por que será que isto ocorre? Longe de ser uma capacidade dada pela biologia, cuidar é uma tarefa aprendida pelas meninas desde cedo, sendo mamães de suas bonecas. Quando um menino se interessa por brincar com bonecas, a família fica assustada, achando que este pode ser um sinal de homossexualidade. Só que estamos presenciando novas possibilidades de participação afetiva e efetiva do pai na vida das crianças, sem que estes homens, obviamente, mudem sua opção sexual.

A tarefa de cuidar, entre nós humanos, se aprende socialmente. Isto fica claro quando observamos as dificuldades da mulher urbana em amamentar e cuidar do neném, muitas vezes, por nunca ter participado da criação de outros bebês da família. É óbvio que a biologia, através da gravidez, facilita à mulher a formação de vínculos precoces com o bebê, mas não garante o exercício de uma maternidade satisfatória. Muitas mulheres não se sentem confortáveis nesta tarefa, sentindo-se culpadas por não serem aquela boa mãe que se exigem. O reforço social para o desenvolvimento das capacidades femininas de cuidar é muito grande. A expressão mãe desnaturada reflete bem a exigência sobre a mulher de dedicar-se aos filhos, para evitar ser qualificada como tal. No entanto, o pai que não cria os filhos, ou quando separado se afasta deles não recebe nenhum julgamento de seu grupo social.

As instituições sociais em sua maioria afastam o homem da educação e cuidados com a criança. É a escola que embora faça a reunião de pais, não questiona a presença apenas de mulheres na maioria destes encontros, embora muitas delas trabalhem fora. Nas maternidades, a entrada do pai na sala de parto nas maternidades públicas, precisou ser normatizada (cidade do Rio de Janeiro e Estado de São Paulo) para que o homem, como qualquer outro acompanhante à escolha da mulher, possa presenciar o nascimento de seu filho. Os homens não são convidados a participar do pré-natal durante a gestação. Nos postos de saúde, não há fotos de homens com bebês, expressando a expectativa de que aquele seja um espaço exclusivamente feminino. Os homens são mantidos à distância pela atenção prestada à gestação e ao nascimento da criança. As relações de trabalho também dificultam a participação do pai, pois não se aceita que homem falte ao trabalho porque o filho ficou doente, havendo uma expectativa de que este seja papel de mãe.

Enquanto a mulher desde cedo é preparada para a maternidade, com as brincadeiras de bonecas, cuidar de filhos não costuma fazer parte do projeto de vida dos homens. Suas atenções em geral estão voltadas para a competitividade do mundo profissional. Na vida sexual, os homens, tem mais dificuldade no uso da camisinha, como se a relação sexual sem cuidados anticonceptivos, não implicasse em paternidade futura. Cabe à mulher tomar pílula e controlar o período fértil. Se engravidar, o erro foi dela.

Todos estes fatores contribuem para a descrença de muitos homens na sua capacidade de serem amorosos e competentes no cuidado com os bebês. Além disso, tornar-se pai na maioria das vezes é vivido como um grande susto. Parece que aí é que o homem entra na vida adulta. Embora pouco se fale das experiências masculinas durante a gestação, pode-se imaginar a quantidade de emoções que um homem vive ao longo desse período. A responsabilidade econômica, o compromisso afetivo com a família, o projeto de vida, o medo da nova experiência, a transformação na relação com a mulher gestante e futuramente mãe, a divisão do amor com o filho, etc. são temas que costumam surgir nos corações masculinos e que não costumam receber a devida atenção daqueles que prestam assistência à gestação e ao nascimento.

A capacidade masculina de cuidar e de formar vínculos vem sendo observada através de estudos com homens americanos que tiveram contato com seu bebê despido, trocando fraldas e olhando "nos olhos" nas primeiras três horas de vida. Entre estes pais, o cuidado e a interação afetuosa com seus bebês é aumentada nos primeiros três meses de vida, além de propiciar um sentimento de maior proximidade com suas esposas. Não podemos esquecer que o homem que não participa da vida do bebê sente-se em geral excluído pois a mulher gasta muitas horas no cuidado com a criança, sem sobrar tempo para o marido. Outros estudos, mostram que pais adolescentes, apesar de todas dificuldades da precocidade da paternidade, quando acompanham as consultas do pré-natal e participam do trabalho de parto e do nascimento, têm maior probabilidade de acompanhar as consultas mensais dos seus filhos (as) até por volta de dois anos de vida.

Pais adolescentes, apesar de todas as dificuldades da precocidade da paternidade, quando acompanham as consultas do pré-natal e participam do trabalho de parto e do nascimento, têm maior probabilidade de acompanhar as consultas mensais dos seus filhos(as) até por volta de dois anos de vida, segundo pesquisas.

Há momentos na nossa vida que são especiais na formação de vínculos. Chamam-se períodos sensitivos¹ pela facilidade maior que a pessoa tem de ser influenciada por um evento, do que noutros momentos. O período do nascimento do filho é um deles, facilitando para o pai e a mãe vincular-se ao bebê, em virtude de toda a transformação emocional que eles estão vivendo para lidar com o novo integrante da família. Bebê, mamãe e papai estão passando por profundas mudanças, reorganizando suas vidas e esta é uma oportunidade de maior sensibilidade de todos. Não há porque os homens não aproveitarem este momento na construção de vínculos afetivos duradouros.




*Maria Luiza de Carvalho

Psicoterapeuta corporal com formação em Biossíntese, com experiência no trabalho com crianças, adolescentes, adultos, terceira idade, psicóticos e suas famílias.
Psicóloga da Maternidade-Escola da UFRJ há 10 anos, trabalhou com Psiquiatria nos 20 anos anteriores.
Especialista em Terapia de Adolescentes (Inst. Psiquiatria UFRJ), Psiquiatria Social (Colônia Juliano Moreira-FIOCRUZ), e Psicologia na Assistência Psiquiátrica (Inst. Psiquiatria UFRJ).
Mestre e Doutoranda em Psicossociologia de Comunidades e Ecologia Social (EICOS, Inst. Psicologia, UFRJ) e pesquisadora sobre paternidade, gênero, saúde sexual e reprodutiva.
Tel.: 21 2234 3695


Autor: Maria Luiza de Carvalho
Data: 17/8/2006
Publicado originalmente no site www.aleitamento.com

terça-feira, 20 de abril de 2010

Alimentação durante trabalho de parto está liberada

Vejam que interessante o artigo que saiu na Folha On Line. Revê mais um mito sobre o trabalho de parto. Sempre se ouviu que a parturiente não poderia se alimentar nesse processo porque se tivesse que fazer uma cesária poderia passar mal. Enfim foi revisto, concluiu-se que se passa mais mal ficar sem alimentação.

Boa leitura e lembrem-se de levar alimentos leves na bolsa da maternidade.

Beijos grandes!!!

Crença de que mulher deve ficar em jejum para dar à luz não resiste à revisão científica de vários estudos; comida deve ser leve

Rafael Hupsel/Folha Imagem

A fisioterapeuta Luciana Morando, que almoçou e lanchou no dia do nascimento de Guilherme

JULLIANE SILVEIRA
DA REPORTAGEM LOCAL

Em nome do conforto, vale até comer enquanto o bebê não chega. Uma revisão recente de cinco estudos científicos concluiu não haver provas de que a alimentação durante o parto normal faz mal à mulher.
O trabalho avaliou dados de 3.130 mulheres e foi publicado pela Cochrane, rede internacional de revisão de pesquisas.
A crença de que a mulher deve ficar em jejum vem dos anos 1940, quando foi levantado o alerta de que, durante uma anestesia geral, haveria maior risco de vômito e de o alimento do estômago ser aspirado pelos pulmões, causando problemas à paciente.
Mas a anestesia aplicada na gestante só atinge o abdômen e os membros inferiores, tornando mínimo o risco de reaspiração dos alimentos. "Muitos médicos têm receio de ser necessária uma anestesia geral, mas isso é raro e atípico", diz o ginecologista Alberto d'Auria, diretor do grupo Santa Joana.
Na verdade, a alimentação pode ajudar a mulher: como ela pode esperar até 16 horas para o bebê nascer, precisa de uma fonte de energia. "Se sente fome, é sinal de que há algum nível de hipoglicemia. É mais saudável oferecer comida do que dar glicose na veia", acrescenta.
A exceção ocorre no caso de uma cesariana agendada. A cirurgia requer oito horas de jejum para alimentos sólidos e seis horas para líquidos.
"Se o parto for normal, mas houver suspeita de que a mulher não vai ter dilatação, também é melhor evitar a alimentação", diz a ginecologista Márcia da Costa, coordenadora médica da maternidade do Hospital São Luiz -unidade Itaim.

Experiência
A fisioterapeuta Luciana Morando, 27, já sabia que poderia se alimentar durante as contrações, caso sentisse fome.
Foi internada às 11h, e seu filho, Guilherme Mendes Morando, nasceu depois das 20h, tempo suficiente para ela almoçar e lanchar. "Achei importante comer. Parto é trabalho mesmo. Tive mais energia para o momento da expulsão."
Os alimentos devem ser leves como grelhados, purê, arroz e vegetais, para não piorar um eventual mal-estar causado pela dor, segundo a ginecologista Márcia da Costa. "Se ela estiver indisposta, pode tomar sopa. Vai do desejo da paciente." Se ela estiver sem apetite, o médico pode manter os níveis de glicemia com soro.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd2004201004.htm

sábado, 17 de abril de 2010

Obrigada pelas visitas!!!

É com muita alegria que venho agradecer a visita de vocês:

O Apoio Materno já conta com mais de 1.000 clicks desde a primeira publicação em novembro de 2009. Gostaria de poder conhecer mais os nossos visitantes, saber a opinião sobre os artigos postados e receber sugestões para novas pautas.

Portanto, escrevam para o e-mail (apoiomaterno@gmail.com), entrem no orkut (Apoio Materno) ou deixem seus recados nos comentários. Será um prazer compartilhar experiências com vocês!!!

Beijos,

com carinho.

A natureza do sono do bebê

Olá,

Vamos mudar um pouco de assunto, passando do parto para o bebê. Mais especificamente sobre o sono, questão que traz muitas dúvidas e até mesmo insônia nos pais.

Li o artigo abaixo da Dra. Andréia Mortensen, pesquisadora em neurociências e residente nos Estados Unidos, no Guia do Bebê (www.guiadobebe.uol.com.br). Logo entrei em contato com a autora para pedir autorização de publicação e conversamos um pouco sobre como orientamos as mães e pais sobre o sono dos filhos. Pensamos da mesma forma e gostaria de compartilhar com vocês o material porque está bem explicado em termos científicos. Ou seja, pode dar carinho, pode deixar dormir juntinho que, ao contrário do que se fala no senso comum, não vai deixar os bebês manhosos e sim crianças mais seguras e afetivas.

Um beijo grande e bons sonhos!

Dra. Andréia Mortensen

A natureza do sono do bebê

Após a leitura do artigo "O mau sono do filho pode ser culpa dos pais", publicado no site Guia do bebê em 03/03/2010, gostaria de fazer alguns comentários.

O artigo ressaltou que a raiz de muitos problemas de sono estaria no fato de os pais auxiliarem seus bebês a adormecerem e concluiu que eles deveriam ser treinados a fazê-lo sozinhos.

Tenho algumas críticas a esse raciocínio:

PRIMEIRO, é importante entender que essa inabilidade do bebê de adormecer sozinho, sem ajuda, é de sua natureza. Antes de 2 ou 3 anos não há maturidade neurológica para tal. Então, ao 'treinar' um bebê a adormecer sozinho estamos passando por cima de sua natureza do desenvolvimento, que acontece em fases, em um aprendizado longo e complexo. A matéria parte do princípio de que é preciso condicionar os bebês a não solicitarem aconchego à noite mesmo quando tivessem necessidade, como se uma exigência para um bom sono bom seria apressar a independência do bebê.

SEGUNDO, as funções do choro, do embalo e do apego devem ser levadas em consideração.

O choro - No início da vida, o choro tem um amplo espectro de funções: bebês choram por fome, necessidade de contato físico, frustração, outras necessidades físicas e emocionais. O choro de frustração não pode ser considerado falso por não apresentar uma razão física visível. Experimentos clássicos mostraram que simplesmente pegar o bebê no colo funciona perfeitamente como uma forma de parar o choro, ainda que eles estivessem famintos (1,2). O choro atendido pelos pais tem importância fundamental para a formação de vínculos e estabelecimento do laço afetivo familiar (3).

O embalo - O bebê precisa ter confiança máxima, conforto, segurança e outros sentimentos mais complexos em quem lhe está adormecendo, que levam ao relaxamento relaxamento físico e mental. A mãe acalenta o bebê com um embalo ritmado, lento, afagos leves e ao som de uma melodia delicada e sussurrante de sua voz, e com isso o bebê se entrega e adormece. Deve-se lembrar também que embalar o bebê lhe confere estímulos sensoriais necessários ao estabelecimento do tônus muscular.

O apego - O colo e o apego, em conjunto com o embalo e a amamentação, são fatores críticos para a continuação do desenvolvimento do bebê fora do útero materno. O bebê humano nasce em desamparo e dependência quase absoluta e necessita ser visto e ouvido por sua mãe ou por outra figura de apego primário, de quem procura e espera uma relação recíproca, na qual seus próprios sentimentos iniciais são retribuídos (4). O bebê 'come amor' como se fosse comida e também a sensação de estar rodeado, contido, visto e seguro (5).

Uma criança que se agarra a um adulto não está sendo mimada nem querendo chamar atenção, mas sim está tentando reduzir o seu alto grau de excitação física e seus elevados níveis de substâncias químicas estressantes, como o cortisol e, ao mesmo tempo, tenta ativar as compostos químicos cerebrais que produzem sentimentos de bem-estar, como a ocitocina. Sua mãe é sua 'base neuroquímica' infalível.

Obrigar a criança a ser independente antes de ela estar geneticamente madura para tal é uma provável causa do surgimento de um apego prolongado, enquanto que a criança que recebeu o cuidado amoroso protetor com sua dependência natural reconhecida estará apta a aperfeiçoar suas potencialidades primitivas de crescer, integrar-se, adaptar-se às exigências do ambiente, desenvolver outras relações interpessoais, habilidades sociais, de convivência e aceitação do outro e de preservar a vida.

TERCEIRO, técnicas conhecidas como 'choro controlado' e variações em que o choro do bebê é ignorado não oferecem garantias de noites de sono ininterruptas. Tal fato foi, inclusive, revelado em uma pesquisa recente na qual, apesar de 69% dos pais acreditarem que essa técnica funcionaria, somente 1/6 dos pais disseram que ela eliminou completamente os despertares noturnos. (6)

Ainda, pesquisas revelam que quando a criança cumpre um ano, as mães que haviam atendido rapidamente o seu choro, tinham filhos que choravam muito menos que aquelas que haviam optado por deixá-los chorar (7).

QUARTO, é mito que bebês que são treinados a dormir a noite toda nunca mais acordariam. O bebê muda constantemente conforme seu desenvolvimento e isso interfere em seu sono. Então, é falaciosa a prescrição de soluções eternas para que a criança dormir a noite toda, porque sempre que há mudanças em sua vida (como entrada em escolinha ou mudança de professora, um atrito com amigo na escola, mudança para nova casa, férias, doença, saltos de desenvolvimento e outros) há provavelmente uma causa emocional para a mudança no padrão de sono. Nesses casos, é hora de direcionar todas as atenções a seu filho para que se sinta emocionalmente seguro de as boas noites de sono voltarão.

QUINTO, a pesquisa citada (publicada originalmente em 2009 na revista "Child Development") tem falhas metodológicas e erros de abordagem que não foram citados. Somente 85 famílias foram entrevistadas e isso torna a amostragem não significativa. Além disso, o texto não deixa claro qual foi a porcentagem real de casais que se adequaram às conclusões do grupo (se a margem de diferença for muito baixa, o estudo deve ser refeito com grupo de amostragem mais amplo).

Os próprios autores concluem no final do artigo que, pelo fato de os dados serem baseados em amostras não-clínicas, todas as implicações clínicas devem ser melhor examinadas adiante, em condições clinicas. Os autores ainda discutem que os dados devem ser melhor explorados em outras culturas e em amostras com mais variados status socioeconômicos para testar sua valia em ambientes que tenham diferentes expectativas, filosofias e valores em se tratando de práticas de educação dos filhos em geral e do sono dos bebês em particular.

Portanto, a abordagem dos pesquisadores passou por uma linha de pensamento que não considera diferentes culturas, crenças e individualidades. Os pesquisadores concluem que todas essas são características limitam a generalização dos resultados. Ainda mais, as associações relatadas entre o sono e cognições maternas foram baseadas em percepções subjetivas e podem ter sido influenciadas pela variância do método compartilhado.

Esses aspectos não foram incluídos no artigo que, portanto, não relatou com acuidade o que foi descrito na pesquisa.

FINALMENTE, o artigo publicado continua a oferecer problemas na parte 'Avisos' de hábitos possivelmente perniciosos ao sono.

Alimentá-lo fora do horário? Não é possível, posto que o bebê pequeno precisa mamar em livre demanda para garantir que tenha todas suas necessidades de nutrição e também de sucção não nutritiva saciados. Não há conselho mais prejudicial para o estabelecimento e continuidade da amamentação e, consequentemente, para a saúde dos bebês, do que amamentar com horários predeterminados.

O artigo condena que o bebê durma com seus pais. As conclusões do artigo não consideram bases antropológicas, culturais e tampouco fisiológicas.

O co-leito ou cama compartilhada é algo praticado desde os primórdios da raça humana. A necessidade do bebê humano de estar em contato físico com a mãe vem dos tempos em que o ambiente era perigoso e a sobrevivência dependia de contato direto com sua mãe. Somos parte dessa descendência. Além disso, a cama compartilhada é comprovadamente de auxílio para estabelecimento da amamentação e tem efeitos positivos no estabelecimento de ritmos respiratórios, na regulação de padrões de sono, da taxa metabólica, de níveis hormonais, da produção enzimática (ajudando na habilidade do bebê de lutar contra doenças), na taxa de batimentos cardíacos e no sistema imune (8, 9, 10). Pode também ajudar a atender necessidades emocionais do bebê e da criança mais facilmente, levando em consideração os picos de crescimento, a crise de ansiedade de separação que se inicia por volta dos 8 meses e outras fases que vão além do primeiro e segundo ano de vida, nas quais o contato íntimo com a mãe faz toda a diferença.

Portanto, ter um conceito previamente fechado, contrário a um arranjo de sono, pode dificultar a família a lidar com as necessidades que o bebê e a criança manifestem.

ALGUMAS RECOMENDAÇÕES QUE EU DARIA AOS PAIS SERIAM:

- Investigue em que lugar o bebê dorme melhor: na mesma cama com os pais, no berço em outro quarto, no berço no mesmo quarto porém distante da cama do casal, no berço no mesmo quarto junto à cama? E onde você dorme melhor? Finalmente, onde você gostaria que seu bebê dormisse? A gama de variações possíveis é grande, pode-se tentar alguns dos arranjos até descobrir como toda a família dorme melhor.

- Alterne maneiras de auxiliar o bebê a adormecer, nem sempre mamando (a não ser nas primeiras semanas quando é impossível manter um bebê acordado após as mamadas), nem sempre embalando, às vezes peça para papai entrar na jogada! Ao aprender que pode adormecer de várias formas, é menos provável que o bebê faça associações fortes de sono que podem levá-lo a requerê-las no meio da noite.

- Reconheça os sinais de sono do bebê: esfregar olhos, bocejar, diminuir atividades, ficar irritado, olhar parado, chorar, em alguns casos, gritar. Crie rotinas de acordo com o cansaço e a necessidade de sono da criança (que vai mudando conforme a maturidade), ou seja, uma sequência simples de eventos que ajude a criança a identificar que a hora do sono está por vir.

- As sonecas são importantíssimas para o desenvolvimento do bebê e para o sono noturno. Ao contrário do que se pode pensar, um bebê exausto luta contra o sono e tem dificuldades de permanecer adormecido. Para serem restauradoras, as sonecas diurnas devem durar pelo menos 1 hora, em média, para bebês maiores de 4 meses. Se o bebê não dorme espontaneamente esse tempo e acorda aborrecido, precisa de ajuda para prolongar as sonecas. Você pode usar um sling e deixar o bebê dormir nele. Se ele dorme em berço ou cama, preste atenção: quando acordar, tente colocá-lo para dormir novamente o mais rápido possível. Às vezes, ficar por perto para intervir antes de o bebê acordar completamente é aconselhável. Esse processo pode ser demorado, mas vale a pena, pois o bebê vai aprendendo a emendar ciclos de sono e tirar sonecas mais longas, que são importantes para um bom sono noturno também.

Dra. Andréia C. K. Mortensen



Referências

1- Wolff, P.H. 1987. The development of behavioral states and the expression of emotion in early infancy: New proposals for investigation. Chicago: University of Chicago Press. (1987).
2- Our Babies, Ourselves. How biology and Culture shape the way we parent. Meredith F. Small. Anchor Books. (1998).
3- Tocar: o Significado Humano da Pele. Ashley Montagu. Ed. Summus. (1988).
4- Bowlby, J. (1969,1982) Attachment [Vol. 1 of Attachment and Loss]. London: Hogarth Press; New York, Basic Books; Harmondsworth, UK: Penguin (1971).
5- Babies and Their Mothers : D.W. Winnicott. Merloyd Lawrence. ( 1996).
6- Lynn Loutzenhiser, Regina Leader-Post. Have you been awake all night, trying desperately to put your child back to sleep, or does your little one sleep like a baby? The study is being done in collaboration with a contributing editor to Today's Parent magazine. The survey can be found at http://uregina.ca/~loutzlyn/Research.html. (2009).
7- Margot Sunderland, The science of parenting. DK Publishing Inc. (2006).
8-J. McKenna et al., Bedsharing Promotes Breastfeeding, Pediatrics 100, no. 2: 214-219. (1997).
9- J. McKenna et al., "Sleep and Arousal Patterns of Co-Sleeping Human Mother-Infant Pairs: A Preliminary Physiological Study with Implications for the Study of the Sudden Infant Death Syndrome (SIDS)," American Journal of Physical Anthropology 82, no. 3, 331-347 (1990).
10- A Reasonable Sleep. Evolution suggests that if we sleep with our babies, we might help some of them escape sudden infant death syndrome. By Meredith F. Small DISCOVER 13:4. Medicine. (1992).

Esta página foi publicada em: 18/03/2010.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Mais sobre Michel Odent

Olá ,

Como havia prometido, hoje vou colocar algumas ideias do obstetra Michel Odent sobre a fisiologia do parto.
Ele enfatizou muito sobre as formas de ajudar uma mulher no trabalho de parto e como atrapalhar também (às vezes sem querer a gente pode estar sendo mais inconveniente do que imagina!).

Para começar, é interessante entender que nesses momentos de nascimento a mulher precisa se desconectar da função intelectual, ou seja, deixar parte do seu cérebro (neocórtex) quietinho. Hormônios são liberados e ela vai utilizando partes cerebrais mais arcaicas (pituitária e hipotálamo). Seu comportamento pode ficar diferente, ou como Odent falou, "inaceitável". Gritar, ser indelicada, brigar, tudo isso é sinal de que ela está se liberando da parte intelectualizada e entrando mais profundamente no trabalho de parto, com seus próprios recursos.

O que atrapalha (e estimula a parte intelectual):

1- falar com a mulher: mesmo que seja para dizer como está a dilatação ou fazer alguma pergunta. Qualquer conversa nesse momento ativa os pensamentos e a tiram do estado primitivo;

2- luz: com o escuro um hormônio importante é liberado (melatonina) que ajuda a diminuir a atividade intelectual do neocórtex;

3- ser observada e ter sensação de perigo: pessoas que estejam tensas, filmagens,etc podem atrapalhar. O ideal seria estar apenas com a parteira (segundo o próprio obstetra) e alguém que não a faça se sentir julgada e observada, alguém como a mãe ou que passe esta sensação.

4- sentir fome: aumenta a adrenalina. Quando a mulher se alimenta abaixa a atividade do neocórtex, ou seja, dá um soninho e tranquiliza.

Então, já podemos ter algumas ideias de como ajudar uma mulher no seu trabalho de parto ou, pelo menos, não atrapalhar tanto!

Quem quiser pode mandar suas observações, experiências sobre o assunto acima. Seria ótimo trocar informações com vocês.

Beijos

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Um grande encontro: Michel Odent em Curitiba


A assistente social Talita em pé, Michel Odent e eu ao lado.

Olá,

Ontem estive em Curitiba participando de um workshop com o obstetra francês Michel Odent. Ele é um dos pioneiros na humanização do nascimento, trazendo inovações como a banheira e quartos que lembram o ambiente familiar. Ele que é originalmente um cirurgião geral, tornou-se parteiro domiciliar e defensor da ideia que as intervenções atrapalham o processo do nascimento.

O encontro foi em tudo muito significativo, conheci profissionais de vários lugares, muita gente de SC. Todos famintos de apoio e realimentação nas suas práticas a favor da humanização do nascimento. O casal Luciana e Mário, donos do Espaço Aobä em Curitiba, nos receberam com muito carinho. Ela sempre carregando seu bebê de 3 meses no sling, me deu saudades dos meus "bebês", agora já bem grandinhos. Também tive a oportunidade de conversar com a psicóloga e doula Talia, que foi a intérprete (incansável). Ela também é a tradutora de um dos livros de Odent e trocar experiências com ela foi muito estimulante. Fui com um grupo da Rehuna de SC - Izabel, Viviane,Andrezza e Talita - que está envolvido com o projeto MANA (parceria HU Fpolis , Rehuna e FNS), que desenvolve atividades com gestantes e rede de apoio em duas comunidades de Florianópolis. Voltei mais animada e com muitas ideias.

Em breve vou trazer alguns tópicos abordados pelo obstetra. Vale a pena conhecer seu trabalho e nos fazer repensar sobre nossas escolhas,sejam elas quais forem. Um aspecto que me chamou muito a atenção é a forma de Odent aborda a humanização. Ele não procura fazer um veu de romance nas suas explicações, nem convercer ninguém. As informações que traz são científicas, produto de muitas pesquisas que mostram a fisiologia do processo de parto. Nos ensinou sobre os hormônios e como são liberados ou inibidos, conforme o ambiente e as atitudes das pessoas que estão acompanhando a mulher no trabalho de parto. Em resumo, nos mostra a capacidade da mulher e um retorno da feminilização do parto.



Enquanto a próxima postagem não vem, algumas referências de livros:

- O renascimento do parto
- A cientificação do amor
- Água e sexualidade
- Gênese do homem ecológico

Boa leitura!!!

Beijos.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Postagem do link para massagem

Pessoal,
Infelizmente não consegui postar o link para ir diretamente no youtube assistir a massagem. Prometo que logo que conseguir encontrar alguém que saiba mais do que eu (fácil!!!) , estarei corrigindo esta falha. Desculpem.

Beijos

Massagem Shantala

Oi,

Hoje vamos conversar um pouco sobre massagem. Na Índia, principalmente ao sul, existe uma massagem milenar e tradicional para crianças. Muita gente já ouviu falar nela, a Shantala. Que é o nome de uma indiana que Fredérick Leboyer, médico francês, conheceu por acaso quando visitava o tal país. Ele aprendeu a massagem e trouxe para o Ocidente, batizando com o nome dela.

A shantala pode ser iniciada nos bebês a partir de um mês de idade, devagar e com carinho. Um dos grande benefícios dessa massagem é trazer uma continuidade do contato tão próximo que a mãe tem com seu bebê durante meses. Na barriga existia a massagem dos movimentos da mãe, da sua respiração pressionando e soltando o ventre. Depois que o bebê nasce diminui esses estímulos em seu corpo.

Nem todos os bebês gostam da massagem completa de imediato. Por isso é importante respeitar o seu ritmo, perceber o que ele gosta, começar com pouca pressão. Cmeçar como um carinho para que aos poucos se possa fazer a massagem completa.

Algumas dicas para esse momento especial:

1- ambiente arejado,sem corrente de ar.
2- bebê despido (quando a estação permitir).
3- se estiver frio, aquecer o ambiente.
4- uso de óleo adequado para bebês (consulte o pediatra).
5- evitar de fazer a massagem após uma refeição (isso vale para mãe e para o bebê).
6- se gostar, uma música tranquila.
7- concentração e pensamentos bons quando estiver massageando seu bebê (se estiver indisposta, irritada etc, deixe para outra hora).
8- bebê bem de saúde.
9- prestar atenção na respiração sua e do bebê.
10- banho na banheirinha gostoso depois da massagem, segurando o bebê pelo bracinho e dando apoio no bumbum para ter a sensação de estar flutuando na água. Depois desse relaxamento inicial, prosseguir com a higiene de sempre ( lembrando que é melhor sabonetes e xampu neutros).

O momento do banho pode ser compartilhado com o pai. Onde a mãe faz a massagem e o pai dá o banho.
Em seguida, geralmente, o bebê quer mamar e logo dorme, bem tranquilo. É um ritual delicioso que a nova família pode incorporar no seu dia a dia.

Os bebês que nasceram de cesariana ganham muito com a massagem, pois recebem a estimulação na pele que não tiveram no momento do nascimento com as contrações (em caso de parto agendado) e na passagem pelo canal vaginal.

Ah, a massagem não substitui os colinhos e carinhos durante o dia, ok! É mais um momento especial para fugir da rotina do "troca fralda, amamenta, troca fralda de novo, faz dormir, troca fralda, amamenta,etc"...um momento de atenção e de troca de amor!!!

Aproveitem e depois me contem por aqui. Assistam o vídeo retirado do youtube com a gravação original da própria Shantala massageando seu bebê, sendo filmada por Leboyer em 1976.

Beijos e ótima massagem!!!

Para saber mais:

1- Shantala: uma arte tradicional - massagem para crianças de Frédérick Leboyer Editora Ground.
2-Shantala: massagem, saúde e carinho para o seu bebê de Pier Campadello
Editora Madras

sexta-feira, 19 de março de 2010

Orkut

Olá mães, pais e amigos do blog

Agora estamos no orkut também. Venha visitar o Apoio Materno e nos adicione também. Vocês vão encontrar pessoas ou locais que falam sobre gestação, amamentação, parto e outros assuntos interessantes.

Beijos, aguardo vocês!!!

quinta-feira, 18 de março de 2010

Votação Change Makers

Mulheres, parteiras, empoderadas, simpatizantes, maridos:

Ajudem o projeto da Parto do Princípio no desafio do Changemakers.
O projeto mais votado receberá ajuda de custo para enviar seu representante ao fórum mundial sobre Maternidade Sadia.
Para se Cadastrar:
- Visite o site www.changemakers.com
- Clique em: entrar ou cadastrar o seu perfil.
- Preencha o formulário..
- Você receberá um e-mail de confirmação no seu endereço cadastrado.

Para Votar (a partir de 17/03):
- Visite a nossa inscrição: http://www.changemakers.com/en-us/node/69423
- Entre com o seu nome de usuário e senha
- Vote

Quanto mais votos, mais chances da PP ser escolhida!

Mais:
Entre nas discussões e dê a sua opinião sobre o trabalho da PP.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Psicoterapia Pré-natal

Olá mães e pais,

A colega Fernanda Barros de Matos, psicóloga de Brasília, escreveu o artigo abaixo sobre as transformações na vida da mulher a partir da gravidez e o nascimento do bebê. Comenta também sobre o trabalho desenvolvido na área da psicologia para acompanhar este período tão especial e cheio de mudanças significativas. Cuidar da mãe e da família na gestação é ,sem dúvida, uma maneira de cuidar do bebê. Boa leitura!!!

- “Estou grávida! E agora? O que eu faço? Será que estou pronta para ter um bebê? São tantas mudanças? Meu corpo está diferente... preciso me cuidar! Tenho que ir ao obstetra. Tenho que me alimentar direito. Vou à nutricionista. Vou fazer hidroginástica, ou quem sabe, yoga para gestantes... Tenho que comprar roupas adequadas a minha barriga... Tenho que fazer o enxoval. Preparar o quartinho do neném. São tantas coisas... O que fazer?”

Numa mistura de alegria e preocupação, a mulher, que recebeu seu exame positivo para gravidez, desejosa ou surpreendida pela mesma, vai se imaginando diante das mudanças que estão por vir, dos planos que precisam ser refeitos, do corpo que se transforma dia a dia, dos afetos e humores que flutuam no mar de distintas e até contrárias emoções. É nesse mar que a psicoterapia alcança uma particularidade: o cuidado da psique de uma grávida, a Psicoterapia Pré-Natal.

Há quatro anos acompanhando semanalmente mulheres durante suas gestações, pude constatar que a psicoterapia adentra principalmente três esferas de suas vidas:

1) Quando uma criança nasce, nasce também uma mãe.
A mulher que era a filha será a mãe! E o que essa mulher conhece do mundo das mães? Quem foi e quem é a sua mãe? Quem verdadeiramente exerceu a função de mãe dessa mulher? O que foi real, imaginário e internalizado do ser mãe? Como é e como será a relação com a sua mãe, agora avó? O que gostará de repetir ou detestará fazê-lo?

2) Há um terceiro chegando em casa.
O dois, o casal, terá que abrir espaço para mais um. Como ficará o relacionamento conjugal? A relação sexual mudará? Quais os antigos e os novos papéis da mulher, enquanto mulher e enquanto mãe? E do homem, enquanto companheiro e enquanto pai? E se a gravidez foi tão inusitada que ainda nem existe o número dois? Será a hora de se comprometer, de formalizar a relação? Ou é melhor aprender a serem mãe e pai separados?

3) Profissão Atual? Mãe.
Qual o trabalho que se realiza hoje profissionalmente? Há Prazer? Como conciliar a maternidade e a profissão? Quantidade versus Qualidade de disponibilidade para vida pessoal e para vida profissional. Qual o tamanho da necessidade de ser produtiva? E gestar uma criança, não é maior produção da humanidade? Como as mudanças da gravidez atingem à carreira? Como controlar as mudanças? Elas são passíveis de controle? O que se pode, o que se deve e o que não se quer mudar no trabalho?

Essas são algumas perguntas trabalhadas em consultório, que estão longe de serem respondidas como a um questionário fechado e racionalizado, pois cada pergunta contém em si uma gama de sentimentos, valores e crenças banhados pela história de vida de cada gestante. E apesar de muitas mulheres responderem-nas ao decorrer da gestação, no turbilhão das tentativas, dos acertos e dos “erros”, fazem-no, muitas vezes, a preços altos e resultados desajustados. Assim, a proposta da Psicoterapia Pré-Natal é fazer do consultório um simbólico útero para desenvolvimento do ser gestante, que está com o seu próprio útero repleto de vida em desenvolvimento.


Fernanda Barros de Matos
Psicóloga Clínica
61 -8115-1502
http://psicoterapiaepoesia.blogspot.com

17 de fevereiro de 2010 05:47

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Grupo de Gestantes e Casais Grávidos: inscrições abertas em Florianópolis




O tempo de gestar uma nova vida também é o tempo da mulher e do casal preparar-se para as mudanças emocionais, físicas, familiares e sociais que chegam bem antes do bebê.

O Grupo de Gestantes e Casais Grávidos traz informações práticas e apoio emocional para que esses momentos tão especiais - antes, durante e após o parto - sejam vividos com o máximo de tranquilidade e confiança.

Cuidar bem das mães é cuidar bem dos filhos


Algumas sugestões de assuntos:

Gestação, Parto e Pós-parto
Maternidade/Paternidade
Amamentação
Cuidados com o bebê
Direitos da mulher
Apoio emocional
Práticas corporais/Respiração/Relaxamento
A música como recurso

Gestantes a partir do 4º mês
Quartas-feiras, das 18h30 às 20h30

Facilitadoras: Juliana Sell - fundadora do Apoio Materno (vide perfil ao lado)
Contato: apoiomaterno@gmail.com

Andrezza Franzoni Alexandre.
Psicóloga graduada na UFSC (CRP 12/09020)
Psicoterapeuta corporal, doula (em formação), facilitadora de grupo de gestantes e cantora.
Contato: andrezza.psy@gmail.com


Endereço dos encontros:
Passiflora Espaço Terapêutico. R. Prof. Marcos Cardoso Filho, 217.
Córrego Grande. Florianópolis, SC. (48) 3024-2250

Envie seu e-mail para maiores informações e inscrições !

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Cartilha para gestantes

A reportagem abaixo é muito interessante, traz uma cartilha para gestantes que foi elaborada através de uma pesquisa de uma enfermeira obstétrica. Boa leitura!

Beijos.


Pesquisa de enfermeira da USP constata que futuras mães se submetem ao parto inseguras
Paloma Oliveto

Publicação: 25/01/2010
O resultado positivo no exame de sangue é motivo de comemoração, mas também de muitas dúvidas para as mulheres. Mães de primeira viagem e até mesmo as que já passaram por uma gestação costumam se sentir inseguras, e nem sempre o médico tem tempo para esclarecer os questionamentos sobre todas as etapas da gravidez. O que já era uma desconfiança virou certeza para a enfermeira obstetra Luciana Magnoni Reberte, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP). A partir de uma pesquisa patrocinada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ela constatou que, da fase pré-natal ao puerpério, as mulheres recebem pouca orientação sobre as mudanças que vão acontecer na vida delas.

As dúvidas das gestantes estimularam a enfermeira a escrever uma cartilha, vencedora da oitava edição do Prêmio de Incentivo em Ciência e Tecnologia para o Sistema Único de Saúde, promovido pelo Ministério da Saúde. Disponível gratuitamente pela internet, a publicação tem como objetivo desmistificar as principais dúvidas acerca da gravidez e, assim, garantir um parto seguro para a gestante.

A cartilha foi elaborada com a ajuda das próprias grávidas. Luciana montou um grupo formado por oito gestantes e quatro futuros pais no Hospital Universitário da USP. “No começo, a proposta era fazer um trabalho sobre os desconfortos corporais e emocionais, mas abrindo espaço para saber quais as dúvidas mais comuns”, conta. Em nove sessões, surgiram diversos questionamentos: desde perguntas sobre alimentação a preocupações com a saúde do bebê. Depois de fazer uma pesquisa em São Paulo, a enfermeira obstetra constatou que não havia nenhuma publicação gratuita totalmente voltada para o esclarecimento de questões práticas. Na segunda fase da pesquisa, ela construiu o texto, que foi aprovado por profissionais da área da saúde e por um grupo de outras nove gestantes.

“Muitas vezes, vi que as mulheres chegavam até mesmo à fase da amamentação sem ter tido nenhuma informação prévia sobre isso. Nem todas as gestantes têm acesso a informações e possuem alta escolaridade. Mas mesmo as que têm costumam ficar cheias de dúvidas”, diz Luciana. Ela afirma que, no geral, as consultas com o obstetra são muito rápidas, e o profissional tende a se concentrar em aspectos mais técnicos, como auferir a pressão da grávida, verificar o colo uterino e auscultar o coração do bebê. “A gestante acaba não tendo abertura para fazer perguntas e, às vezes, o médico acha que ela já sabe tudo”, conta.

A cartilha de Luciana é a prova de que os profissionais muitas vezes desconhecem o grau de informação de seus pacientes. As mulheres que participaram da pesquisa não sabiam, por exemplo, se o pai poderia acompanhar o parto. Outra dúvida foi com relação ao corpo. Uma das gestantes queria saber se a barriga nunca mais voltaria ao normal e também perguntou em quanto tempo poderia voltar a praticar exercícios físicos. A amamentação foi mais um motivo de questionamento: “Se a mãe não amamentar na hora porque está trabalhando, o bebê ainda vai aceitar mamar no peito?”, perguntou uma grávida.

Ansiedade
Há dois anos, a enfermeira Luana Fernandes Souza Belfort coordena os cursos para gestantes oferecidos gratuitamente pelo Hospital Brasília. Por três dias, mães e pais participam de aulas que vão do pré-natal aos primeiros cuidados com o bebê. As grávidas e os parceiros têm palestras sobre psicologia, enfermagem, pediatria, obstetrícia e anestesiologia. Luana conta que todas chegam muito ansiosas, com dúvidas, principalmente, sobre a saúde da criança. “Os pais, agora, também querem saber de tudo, perguntam bastante e querem ajudar”, diz.

De acordo com Luana, para os pais, tudo é novidade; por isso, surgem diversas perguntas. Uma gestante já chegou a questionar se poderia tomar banho de piscina, pois tinha medo de a água fazer mal ao bebê. “Mesmo as que estão na segunda gestação têm muitas dúvidas. É difícil encontrar uma mulher que esteja bem tranquila”, afirma. Mãe de Rafael, recém-nascido, a própria enfermeira, de 27 anos, se tornou ouvinte durante a gravidez. Ao lado de outras mães, ela fez o curso como participante. “Foi bem legal, é uma outra visão. Eu também tinha preocupação com o trabalho de parto prematuro e de o meu filho precisar ir para a UTI (Unidade de Tratamento Intensivo)”, conta. “Eu ficava ansiosa porque tinha muita cobrança. As pessoas achavam que eu não podia ter nenhuma dúvida, mas a gente sabe que a teoria é bem diferente da prática”, admite.

Para a psicóloga Fátima Franco, coordenadora da Clínica Florescer, que oferece cursos para gestantes, a falta de esclarecimento pode comprometer a saúde da mulher e do bebê. “Com o medo e a ansiedade, a pressão sobe, a glicose desregula e há ameaça de parto prematuro”, conta. “Todas essas questões são psicossomáticas”, afirma Fátima, que há 27 anos presta orientação a gestantes e, como doula — acompanhante de partos — , já acompanhou de perto 657 procedimentos.

Segundo ela, o primeiro e o último trimestre são os que mais trazem dúvidas e medos às mulheres. “Nos três primeiros meses, abordamos o medo do desconhecido. As grávidas têm receio de contar para as amigas e sofrerem um aborto espontâneo. Também é preciso falar sobre as mudanças, como o ganho de peso e a falta de desejo sexual”, diz. Já quando o parto se aproxima, elas temem a dor e pela saúde do bebê. “Preparação com exercícios, massagens e respiração correta levam a grávida a ter maior consciência do processo do parto. Dessa forma, o parto fica mais rápido e menos doloroso”, diz. Para Fátima, é fundamental que as gestantes tenham acesso a uma cartilha, na qual possam tirar suas dúvidas.

A enfermeira obstetra Luciana Magnoni Reberte gostaria de ver a sua cartilha sendo distribuída pelo Sistema Único de Saúde. Apesar de o trabalho ter vencido um prêmio do SUS, o ministério ainda não se manifestou sobre a publicação do livro em grande escala. “Tem ocorrido uma procura voluntária, de enfermeiros ou empresários que querem doar para os seus clientes. Mas meu interesse principal é o de socializar a informação”, diz Luciana.

Leia a cartilha Celebrando a Vida, de Luciana Reberte

http://stat.correioweb.com.br/cbonline/2010_01/cartilha.pdf

Viagem a Pelotas II

O segundo momento especial da minha viagem, foi o encontro com uma colega de profissão.
Isane D´Ávila, psicóloga, atende gestantes e mães no pós-parto e acompanhamenta partos (doula). Ela faz parte da Assoc. de Psic. e Saúde Pré e Peri Natal e da La Leche League . Já nos conhecíamos através da lista das "doulas do Brasil" e eu já desconfiava que tínhamos pontos de vista em comum. Não deu outra, falamos durante uma hora sem parar, faltou tempo. Duas mães e com trabalhos semelhantes, muitas trocas!

Quem mora em Pelotas e Jaguarão, ou só quiser conhecer mais do trabalho da Isane, vale a pena acessar o blog:

http://blogdagestante.zip.net

Beijos.

Viagem a Pelotas

Em meados de janeiro viajei a Pelotas para visitar parentes. Teria sido um passeio como nos outros anos, mas houve dois acontecimentos que tornaram minha viagem mais especial.

O primeiro foi o nascimento do meu sobrinhoneto, Artur (filhos de Michele e Alemão). Logo fui me oferecendo para ficar na maternidade e pude acompanhar os primeiros dias da nova família. Foram momentos maravilhosos, as primeiras trocas de fralda, as mamadas, ver o casal se tornando mãe e pai, minha cunhada se tornando avó. Foram momentos marcantes e sinto-me honrada por ter podido participar desta linda estreia.

Um beijo.

P.S. saudades do Artur!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Parto natural é três vezes mais seguro


Existem situações onde a cesariana é indicada, tanto por questões de saúde da mãe , como do bebê. Porém atualmente muitas intervenções cirúrgicas deste tipo estão sendo realizadas sem que haja necessidade. Então vale a pena conhecer mais sobre o parto natural e saber quando a cesariana está sendo sugerida por questão de comodidade ou de saúde. O conhecimento nos leva a fazer escolhas mais conscientes.
Abaixo a matéria que saiu no site do IG, boa leitura. Beijos!!!

Pesquisa da OMS mostra que cesarianas desnecessárias aumentam risco para mãe e bebê

Fernanda Aranda, iG São Paulo | 15/01/2010
Foto: Getty Images

Cesarianas: nas rede privada elas já são 84% de todos os partos
Em meio à epidemia de cesarianas que enfrenta o Brasil, segundo palavras do próprio Ministro da Saúde José Gomes Temporão, a Organização Mundial de Saúde (OMS) acaba de divulgar um novo estudo sobre o risco desta opção cirúrgica, quando feita sem necessidade médica: os partos naturais são quase três vezes mais seguros para mães e bebês.

A pesquisa feita com 107 mil mulheres, todas da Ásia, identificou que quando a criança nasce por meio das cesáreas sem indicação por quesitos médicos, a mortalidade da mãe, a necessidade de fazer transfusão de sangue e o encaminhamento dos bebês após o nascimento para Unidade de Terapia Intensiva (UTI) são 2,7 vezes com mais freqüentes.

O alerta foi feito com base em um índice alarmante: 27,3% das asiáticas avaliadas na pesquisa foram submetidas a cesarianas, taxa alta comparada aos 15% preconizados pela OMS, porém bem inferior ao índice encontrado entre as brasileiras. Do total de partos no País, 43% são cesáreas. Quando na conta entram apenas os procedimentos realizados em maternidades particulares, o registro sobe para 84%, informou ano passado a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Comissão do parto natural

O índice é recordista mundial, afirma o Conselho Federal de Medicina (CFM) e, apesar dos esforços do governo para reduzir as taxas, o efeito foi inverso. O cenário é de aumento de cesarianas já que em 2000, 80% dos partos em unidades privadas em saúde eram deste tipo.

Em muitos casos, lamentam os especialistas, a escolha pela cesárea é por motivos banais. Data de aniversário no mesmo dia do que a mãe, agendas complicadas, mês ou signo preferidos já apareceram como justificativa. Ano passado foi noticiado que alguns casais marcaram a cesárea para o dia 09/09/09 só por causa do ineditismo da data.

A atriz e apresentadora Fernanda Lima foi escalada pelo Ministério da Saúde para tentar ajudar na mudança de quadro. Na época em que estava grávida de gêmeos, ela fez propaganda sobre a importância do parto natural. A causa também virou bandeira do CFM que criou no final do ano passado uma comissão especial para cuidar do assunto.

“Fizemos um fórum em novembro de 2009 e reunimos obstetras, pediatras e mulheres para tentar reverter o quadro, em uma parceria sugerida pela ANS”, afirmou o médico pediatra José Fernando Vinagre, coordenador da Comissão de Parto Natural do CFM. “Já sabemos que para a reversão dos índices precisamos que os hospitais tenham condições de oferecer excelência no atendimento e realização do parto natural. Por isso, este ano, começamos a visitar as maternidades por todo País e vamos fazer uma ampla pesquisa com os obstetras para identificar quais são as principais demandas e falhas atuais”, completou Vinagre. A pesquisa deve ser concluída em julho e a esperança do Conselho e traçar outro paradigma de maternidade.

9 horas contra 90 minutos

Com relação aos médicos, a rotina atribulada de trabalho – mais de 70% atuam em dois ou mais empregos revelou censo feito pelo Conselho de Medicina de São Paulo – pode ser um dos motivos. É sabido que alguns trabalhos de parto chegam a durar nove horas e a maior parte das cesáreas podem ser feitas em uma hora e meia. Apesar disso, as vantagens do parto natural são incalculáveis, informa o Ministério da Saúde.

Estudos internacionais já demonstram que fetos nascidos entre 36 e 38 semanas, antes do período normal de gestação (40 semanas), têm 120 vezes mais chances de desenvolver problemas respiratórios agudos e, em conseqüência, acabam precisando de internação em unidades de cuidados intermediários ou mesmo em UTIs neonatais. Além disso, no parto cirúrgico há uma separação abrupta e precoce entre mãe e filho, num momento primordial para o estabelecimento de vínculo.

Males da mulher moderna

Entender os motivos que fazem as mulheres priorizarem a cesariana também foi o foco de uma enquete realizada por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Eles acompanharam de perto 23 grávidas que acabaram fazendo cesárea. Ao perguntar a opinião delas sobre o aumento crescente de mulheres que fazem uma cesárea, o principal fator foi o medo das dores do parto e o desconhecimento das vantagens do parto normal. “Algumas mulheres do setor privado destacaram a possibilidade de programar o parto devido à vida agitada da mulher contemporânea, em vez de esperar pela imprevisibilidade do parto normal”, afirmam os pesquisadores nos Cadernos de Saúde Pública, veículo em que o estudo foi publicado.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Feliz 2010

Mães e pais

O Apoio Materno deseja a todos muita paz, saúde e novas realizações em 2010.

Aguardo vocês, no próximo ano, para trocarmos ideias, informações e muita experiência.

Beijos e boas festas!!!

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Brinquedos seguros: como evitar acidentes!

O Natal está chegando, época de compras de brinquedos e também de segurança. Muitos artigos apresentam riscos sérios para nossos filhos. Para evitá-los a Ong Criança Segura nos dá dicas importantes.

Beijos e boas escolhas !!!


Atenção na escolha dos brinquedos


Com a aproximação do Natal, inicia a procura pelos presentes que mais agradam a criançada: brinquedos! Mas é preciso atenção, alguns produtos podem oferecer riscos e causar acidentes! Por isso, a CRIANÇA SEGURA alerta para os perigos possíveis e dá dicas para evitá-los.

Os acidentes representam a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil. Em 2007, segundo o Ministério da Saúde, foram registradas no País mais de cinco mil mortes e 137 mil hospitalizações de crianças e adolescentes com até 14 anos, vítimas de acidentes de trânsito, afogamentos, sufocações, queimaduras, quedas, intoxicações e outros. Entre estes tipos de acidentes, dois deles merecem atenção especial no momento da escolha dos brinquedos e das brincadeiras: as sufocações e as quedas.

No caso de bebês com até 1 ano, a sufocação representa a principal causa de morte em comparação aos outros tipos de acidentes. Isso porque com até dois anos, as crianças ainda estão na fase de descobrir o mundo com a boca e podem engasgar ou sufocar com peças pequenas. Por este motivo, na hora de escolher o brinquedo, é preciso notar a presença de peças miúdas que podem se soltar. É imprescindível verificar a presença do Selo do INMETRO e se a peça escolhida é indicada para a faixa etária da criança que será presenteada.

O uso de substâncias tóxicas como mercúrio e chumbo nos produtos e a presença de arestas ou formas pontiagudas também representam riscos pois podem ferir a criança, causar engasgamento ou intoxicação.

A compra de brinquedos como bicicletas, skates ou patins, pedidos comuns da garotada, também deve estar acompanhada de uma série de cuidados. Os equipamentos de segurança como capacete, joelheiras e cotoveleiras precisam acompanhar estes presentes e os pais devem incentivar o uso. A queda é um risco constante e a principal causa de hospitalização, entre os acidentes, de crianças de 1 a 14 anos. Por este motivo também, o local da brincadeira deve ser escolhido com cautela: longe de carros, piscinas e escadas.


Fonte: Criança Segura